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Agronegócio

Argentina reduz imposto de exportação do trigo para tentar elevar rentabilidade do setor

Medida anunciada por Javier Milei reduz alíquota para 5,5% a partir de junho; analistas apontam efeitos contidos no mercado internacional e manutenção do cenário de abastecimento no Brasil.

Por Redação
Argentina reduz imposto de exportação do trigo para tentar elevar rentabilidade do setor

O governo da Argentina oficializou a redução das taxas de exportação incidentes sobre o trigo, conhecidas localmente como retenciones. A alíquota do imposto recuará dos atuais 7,5% para 5,5% a partir do próximo mês de junho. O anúncio foi realizado pelo presidente Javier Milei durante uma agenda na Bolsa de Cereais de Buenos Aires, onde o Executivo também sinalizou a possibilidade de cortar os tributos sobre a soja entre 0,25 e 0,50 ponto percentual em janeiro de 2027, a depender do comportamento da arrecadação pública.

Apesar da medida visar o estímulo aos embarques e a melhora nas margens financeiras da cadeia do cereal, consultorias de mercado avaliam que o reflexo prático na competitividade global da Argentina será contido. Conforme análise da Safras & Mercado, a diminuição de dois pontos percentuais representa um ganho aproximado de US$ 4,5 por tonelada, montante que será distribuído entre exportadores e produtores rurais. Como o país atua como tomador de preços no cenário externo, a tendência é que os efeitos fiquem restritos ao ambiente doméstico, sem força para solucionar os entraves estruturais do comércio exterior argentino.

O histórico recente do setor corrobora a projeção de cautela. Em dezembro passado, uma redução prévia da alíquota de 9,5% para 7,5% acabou neutralizada pela desvalorização internacional do cereal e pelas variações do câmbio na Argentina. Para os estoques remanescentes da safra atual, comercializados até novembro, fatores como a oferta restrita, oscilações na qualidade do grão e a retenção do produto por agricultores — que evitam vender para preservar o poder de compra — devem blindar o mercado de alterações expressivas. O escoamento tende a ocorrer apenas para o cumprimento de obrigações financeiras imediatas e custeio de insumos.

Para os moinhos situados no Brasil, as condições de importação permanecem praticamente inalteradas. A Argentina se mantém como o principal polo de fornecimento de trigo para o mercado brasileiro, contudo, os valores de importação seguirão atrelados aos níveis gerais de oferta, cotações globais e paridade cambial. Caso o padrão panificável exigido pela indústria nacional não seja integralmente suprido pelos produtores vizinhos, as empresas compradoras brasileiras devem recorrer a importações complementares de origens tradicionalmente mais onerosas, como os Estados Unidos.

No segmento da soja, as projeções também apontam para um papel mais focado na influência de tendências do que na disputa direta por grandes volumes comerciais. Dados da consultoria Royal Rural indicam que a safra argentina deve atingir cerca de 48 milhões de toneladas para um consumo interno estimado em 49 milhões de toneladas, restando um excedente exportável de aproximadamente 8 milhões de toneladas in natura. A estimativa para o ano de 2026 prevê um recuo nas vendas externas do grão para perto de 6 milhões de toneladas, retornando à média histórica e limitando o impacto de concorrência direta com o Brasil, embora os preços argentinos continuem servindo como balizadores de negociação para grandes compradores globais, como a China.

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