Um relatório preliminar da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) aponta aumento nas mortes fetais e nos óbitos de bebês menores de um ano entre maio e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram apresentados na quinta-feira (1º) à Assembleia Legislativa e colocam a mortalidade fetal e infantil entre os principais pontos de atenção da assistência à saúde no Estado.
De acordo com o documento, o percentual de óbitos fetais cresceu 25,3%, enquanto as mortes de crianças com menos de um ano tiveram alta de 20,6% no período analisado. Juntos, os dois grupos passaram de 176 mortes registradas nos quatro meses de 2025 para 216 em 2026.
Apesar da diferença nos números, a SES ressalta que os dados deste ano ainda são parciais e podem sofrer alterações à medida que novas informações sejam incorporadas ao Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), utilizado como base para o levantamento.
Por isso, o crescimento registrado entre os dois períodos não é apresentado pelo Estado como uma confirmação de aumento da mortalidade, mas como um possível sinal de tendência que exige acompanhamento.
Maioria das mortes infantis ocorre no período neonatal
Um dos pontos destacados no relatório é que 70% das mortes infantis ocorreram no período neonatal, que corresponde aos primeiros 28 dias de vida.
A própria Secretaria reconhece que parte desses óbitos poderia ser evitada com melhorias na assistência. Entre os fatores apontados estão a necessidade de maior adesão ao pré-natal, capacitação dos profissionais e reforço da estrutura disponível para o atendimento de gestantes e recém-nascidos.
Os números também ficaram acima da meta estabelecida pelo Plano Estadual de Saúde. Embora a SES destaque que os dados absolutos ainda são relativamente pequenos, o cenário é tratado como um indicativo da necessidade de ampliar ações e investimentos na assistência materno-infantil.
Campo Grande e outras cidades concentram maior número de óbitos
Entre os municípios com maior número absoluto de mortes infantis estão Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá e Ponta Porã.
Segundo a análise apresentada pela SES, a concentração nesses municípios precisa ser observada levando em conta não apenas o tamanho da população, mas também o fato de essas cidades funcionarem como referências regionais de atendimento. Isso significa que parte dos pacientes atendidos nesses locais é encaminhada de outros municípios.
O relatório também cita Naviraí, Paranhos, Japorã, Batayporã e Rio Verde de Mato Grosso em relação a situações de vulnerabilidade social e fragilidades na assistência e na vigilância em saúde.
Doenças e complicações estão entre as causas evitáveis
Entre as causas consideradas evitáveis pelo relatório estão doenças adquiridas nas últimas semanas da gestação e nas primeiras semanas de vida, além de asfixia ao nascer, infecções bacterianas neonatais, pneumonias e doenças diarreicas.
A SES reconhece ainda a existência de desigualdades na estrutura e no atendimento oferecido no Estado. O documento aponta a necessidade de aperfeiçoar a assistência principalmente nas etapas de trabalho de parto, parto e nascimento.
O enfrentamento da mortalidade fetal e infantil envolve, segundo o relatório, a investigação dos óbitos para identificar possíveis falhas na assistência, a capacitação das equipes, o reforço dos protocolos e a melhoria da estrutura dos serviços de saúde.
Entre as medidas citadas está a implantação da Rede Alyne, com ampliação do acompanhamento de gestantes de alto risco e do acesso ao atendimento especializado.
Dados ainda serão atualizados
Como o levantamento referente a 2026 ainda depende da atualização das informações no SIM, os números apresentados à Assembleia Legislativa podem sofrer mudanças.
A análise preliminar, porém, já aponta desafios para a rede de saúde de Mato Grosso do Sul, especialmente na prevenção de mortes fetais e infantis e na qualidade do atendimento oferecido durante a gestação, o parto e os primeiros dias de vida.