Matheus Henrique de Oliveira Domingos, de 24 anos, foi condenado nesta sexta-feira (2) a 17 anos de prisão pelo feminicídio de Kamyla Scarlet Fernandes Cristaldo, de 28 anos, em Campo Grande. O julgamento ocorreu na 2ª Vara do Tribunal do Júri e terminou com a condenação pelos crimes de feminicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Kamyla foi baleada no pescoço em 1º de setembro de 2024, no Jardim Colúmbia, região norte da Capital. Após ser atingida, ela foi socorrida e permaneceu internada por cerca de três meses na Santa Casa, mas morreu em dezembro daquele ano em decorrência dos ferimentos. A Polícia Civil havia identificado Matheus como suspeito ainda durante a investigação.
O pai da vítima acompanhou o julgamento. Após o resultado, afirmou que considerava que a Justiça havia sido feita, embora ainda carregasse a insatisfação pela perda da filha.
“Plenamente satisfeito, não estou, mas confortável eu estou”, declarou.
Réu negou participação no crime
Durante o julgamento, Matheus voltou a negar que tivesse cometido o crime. Desde a investigação, ele sustenta que não estava em Campo Grande no momento dos disparos e apresentou um álibi segundo o qual estaria no interior de São Paulo.
A Defensoria Pública, responsável pela defesa do réu, também sustentou que não havia provas suficientes para justificar sua submissão ao Tribunal do Júri e pediu a impronúncia.
A tese defensiva já havia sido apresentada anteriormente no processo. Um recurso chegou a ser analisado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que manteve a decisão de levar Matheus a julgamento. Na ocasião, o TJMS apontou a existência de elementos como depoimento da vítima, imagens de câmeras de segurança, registros médicos e laudos periciais.
A condenação desta sexta-feira, porém, representa o julgamento do mérito da acusação pelo Conselho de Sentença.
Vítima apontou suspeito durante internação
Segundo os registros da investigação, Kamyla conseguiu recuperar a consciência durante o período em que esteve internada e apontou Matheus como responsável pelos disparos.
A Polícia Civil informou, à época, que a vítima relacionou o crime a ciúmes envolvendo a amizade que mantinha com uma mulher que era namorada de Matheus. As duas chegaram a morar na mesma residência.
A investigação inicialmente analisou outras possibilidades, mas essas linhas foram posteriormente descartadas pela Polícia Civil. Com o avanço das apurações, a Justiça decretou a prisão preventiva de Matheus.
Ele permaneceu foragido por aproximadamente um ano e foi preso em outubro de 2025, em Campo Grande.
Crime aconteceu quando vítima saía de casa
Kamyla foi atingida por disparos enquanto saía de casa para pegar um transporte por aplicativo. O ataque ocorreu na tarde de 1º de setembro de 2024, no Jardim Colúmbia.
O ferimento no pescoço provocou um longo período de internação. Mesmo após os esforços médicos, Kamyla morreu em dezembro de 2024, deixando familiares e amigos.
Com a decisão do Tribunal do Júri nesta sexta-feira, o processo chega a uma nova etapa após dois anos de investigação e tramitação judicial. Matheus foi responsabilizado pelos jurados pelos crimes que constavam na acusação, com pena estabelecida em 17 anos de prisão.
O caso também foi marcado, ao longo do processo, pela negativa de autoria apresentada pela defesa e pela análise de diferentes elementos reunidos durante a investigação.