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Encontro entre Trump e Xi coloca soja brasileira no centro da disputa comercial

Negociações entre China e Estados Unidos podem alterar o fluxo global da soja e influenciar exportações, preços e participação do Brasil no mercado chinês.

Por Redação
Encontro entre Trump e Xi coloca soja brasileira no centro da disputa comercial

A soja voltou ao centro das atenções antes do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. A reunião, prevista para ocorrer em Washington nos dias 24 e 25 de setembro, acontece em meio à retomada das compras chinesas de soja norte-americana e pode influenciar o comércio global da oleaginosa.

Para o Brasil, que ampliou sua presença no mercado chinês nos últimos anos, qualquer mudança na relação comercial entre as duas maiores economias do mundo merece atenção. Dados da Administração Geral das Alfândegas da China mostram que, entre janeiro e agosto de 2026, as importações chinesas de soja dos Estados Unidos caíram 34%, para 10,66 milhões de toneladas. No mesmo período, os embarques brasileiros cresceram 5%, chegando a 55,14 milhões de toneladas.

O movimento, porém, não significa que os Estados Unidos tenham perdido espaço de forma definitiva. A China já ultrapassou a metade da meta de compra de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana prevista para 2026, e os embarques começaram a ganhar força em setembro.

China aumenta compras dos EUA antes da reunião

Nas últimas semanas, empresas chinesas voltaram a contratar volumes relevantes de soja dos Estados Unidos. Segundo dados citados pela S&P Global com base em informações do Departamento de Agricultura dos EUA, a China já havia reservado 8,98 milhões de toneladas da oleaginosa norte-americana para o ano comercial 2026/27 até meados de setembro.

A movimentação ocorre justamente antes da nova reunião entre Trump e Xi. Em setembro, fontes ouvidas pela Reuters também relataram a compra de aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja norte-americana por compradores chineses, elevando o volume contratado para perto da metade do compromisso anual de 25 milhões de toneladas.

A soja, portanto, aparece não apenas como uma commodity agrícola, mas também como parte das negociações comerciais mais amplas entre Washington e Pequim.

Brasil ganhou espaço durante a guerra comercial

A disputa tarifária entre Estados Unidos e China modificou o mapa internacional da soja. Com as restrições comerciais impostas durante o primeiro governo Trump, os compradores chineses passaram a recorrer mais ao produto brasileiro.

Esse processo fortaleceu a posição do Brasil como fornecedor estratégico para o maior comprador mundial da oleaginosa. Em 2026, os dados oficiais chineses continuam mostrando uma participação elevada do produto brasileiro nas importações.

Em agosto, por exemplo, a China recebeu 10,61 milhões de toneladas de soja brasileira, alta de 1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado até agosto, foram 55,14 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos começam a recuperar parte do espaço perdido. A S&P Global aponta que os compromissos de exportação de soja norte-americana para a temporada 2026/27 já somavam 18,9 milhões de toneladas, mais que o dobro do registrado um ano antes.

O que está em jogo para o produtor brasileiro

Uma eventual ampliação das compras chinesas de soja dos Estados Unidos pode alterar a distribuição da demanda internacional. Isso não significa necessariamente uma substituição imediata do produto brasileiro, mas pode reduzir a necessidade chinesa de concentrar suas compras no Brasil em determinados períodos do ano.

O impacto também pode aparecer nos preços. Com mais concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês, mudanças nos volumes negociados, nos fretes, nas tarifas e no câmbio podem repercutir sobre as cotações internacionais e, posteriormente, sobre os preços recebidos pelos produtores.

A dinâmica também depende da sazonalidade das safras. O Brasil possui vantagem de oferta durante seu período de colheita, enquanto os Estados Unidos entram no mercado com a nova produção no segundo semestre.

China mantém compromisso com soja dos EUA

O compromisso chinês de adquirir 25 milhões de toneladas anuais de soja norte-americana até 2028 tornou-se um dos pontos importantes da relação comercial entre os dois países. A American Soybean Association confirmou que esse volume faz parte dos compromissos assumidos nas negociações anteriores.

O cumprimento desse acordo ganhou relevância para os produtores norte-americanos, que dependem do mercado chinês para uma parcela significativa de suas exportações.

Ao mesmo tempo, a China tem mantido uma estratégia de diversificação de fornecedores. O Brasil continua sendo um dos principais parceiros, enquanto os Estados Unidos buscam recuperar participação.

Além da soja, outros produtos estão na negociação

A pauta entre Trump e Xi não se limita ao agronegócio. O encontro envolve temas como terras raras, minerais críticos, inteligência artificial, tarifas e outros pontos da relação econômica entre os dois países.

No setor agrícola, também existe uma expectativa relacionada à ampliação das compras chinesas de outros produtos norte-americanos. Segundo a Reuters, a possibilidade de novas compras agrícolas está associada às negociações comerciais entre os dois governos.

Para o Brasil, o principal ponto de atenção está na forma como qualquer acordo poderá redistribuir os fluxos de commodities. A China continuará sendo um mercado central para a soja brasileira, mas a retomada das compras dos Estados Unidos mostra que o cenário pode ficar mais competitivo.

Enquanto as negociações avançam, os números mais recentes indicam que o Brasil mantém uma posição relevante no mercado chinês, mas enfrenta uma disputa renovada com os produtores norte-americanos. O resultado das conversas entre Washington e Pequim poderá ajudar a definir como esse equilíbrio evoluirá nos próximos meses.

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