O setor cafeeiro do Brasil caminha para registrar o maior desempenho de sua história no campo. A produção brasileira de café está estimada em 66,7 milhões de sacas para a safra 2026/27, de acordo com o segundo levantamento oficial divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Caso os números venham a se consolidar ao longo dos meses de colheita, o volume representará um salto de 18% na comparação direta com o ciclo de 2025.
O resultado previsto quebra o recorde anterior da série histórica da estatal, estabelecido no ano de 2020, quando o país colheu 63,08 milhões de sacas. O principal motor deste avanço expressivo é o desempenho dos cafezais do tipo arábica. O grão, que representa a maior fatia da atividade nacional, atravessa o período de alta produtividade dentro de seu ciclo bienal, beneficiado por investimentos recentes e tratos culturais nas lavouras.
No mercado financeiro e de commodities, a expectativa do setor privado é ainda mais otimista do que os dados governamentais. Analistas de consultorias internacionais estimam que a safra total possa romper a barreira das 70 milhões de sacas. A corretora StoneX, por exemplo, projeta uma colheita de 75,3 milhões de sacas, justificando o patamar elevado com base nas condições climáticas amplamente favoráveis e no forte aporte de capital dos produtores após um período de preços valorizados. No mesmo sentido, o banco Rabobank calcula a produção em 73,3 milhões de sacas, prevendo uma disparada de 27,5% no volume de café arábica. Em contrapartida, as variedades canéforas (conilon e robusta) devem somar 24,6 milhões de sacas, um recuo sutil de 1 milhão de sacas frente ao recorde do ciclo anterior.
A combinação de estoques globais baixos com a superprodução nacional deve posicionar o Brasil em um patamar inédito de escoamento para o exterior. Representantes do segmento de comércio exterior estimam que as exportações brasileiras fiquem próximas a 50 milhões de sacas entre os meses de julho e junho, volume que ajudará a reabastecer os mercados compradores internacionais.
Para o ciclo subsequente (2027/28), o cenário de médio prazo passa a depender da consolidação de fatores meteorológicos. Setores comerciais de grandes exportadoras indicam que o desenvolvimento inicial do fenômeno climático El Niño pode ser positivo para o parque cafeeiro do Brasil, já que as temperaturas mais elevadas diminuem os riscos de geadas severas durante o inverno. Contudo, o setor mantém o alerta ligado para o regime de precipitações entre os meses de setembro e outubro de 2026, visto que a escassez de chuvas nesta janela crítica pode comprometer as floradas da safra futura.