A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a estimativa da safra brasileira de grãos 2025/26. No décimo levantamento do atual ciclo agrícola, divulgado nesta terça-feira (14), a estatal passou a projetar uma produção de 360,1 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao estimado no mês anterior.
Caso a projeção se confirme, a colheita será 2,2% maior do que a registrada na temporada passada, representando um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas de grãos em relação ao ciclo 2024/25.
Segundo a Conab, o resultado positivo é explicado principalmente pela ampliação da área cultivada. A produtividade média das lavouras deve permanecer praticamente estável, estimada em 4.311 quilos por hectare, enquanto as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das principais culturas.
De acordo com o gerente de Acompanhamento de Safras da companhia, Fabiano Vasconcellos, o regime de chuvas e a umidade do solo contribuíram para o bom desempenho das lavouras até o momento. A expectativa é de que o clima permaneça dentro do padrão esperado para esta época do ano, mesmo com a redução das precipitações durante o mês de julho na região central do país.
Soja lidera a produção nacional
A soja segue como a principal cultura agrícola do Brasil. Com a colheita já concluída, a produção foi estimada em 180,6 milhões de toneladas, volume que representa aproximadamente metade de toda a safra nacional prevista para o ciclo.
Na comparação com a temporada anterior, a produção cresceu 5,3%, impulsionada pela expansão de 2,7% da área plantada, além do uso de tecnologias no campo e das condições climáticas consideradas favoráveis durante o cultivo.
Milho deve representar quase 40% da safra
A produção de milho também apresenta perspectivas positivas. A Conab estima uma colheita de 141,7 milhões de toneladas, resultado que representa crescimento de 0,4% sobre a safra passada e corresponde a quase 40% da produção nacional de grãos.
A primeira safra do cereal, em fase final de colheita, deve atingir 29,6 milhões de toneladas. Já a segunda safra, cuja colheita alcança cerca de 39% da área cultivada, tem previsão de 109,43 milhões de toneladas. Para a terceira safra, a expectativa é de produção de 2,7 milhões de toneladas.
Arroz e feijão registram redução
Entre as culturas destinadas principalmente ao consumo interno, arroz e feijão devem apresentar queda na produção.
A colheita do arroz foi encerrada com estimativa de 11,1 milhões de toneladas, uma redução de 13,1% em relação ao ciclo anterior, consequência da diminuição da área cultivada.
No caso do feijão, a produção total deve alcançar 3 milhões de toneladas, volume 1,4% inferior ao registrado na safra passada. Segundo a Conab, adversidades climáticas durante a segunda safra afetaram parte das lavouras, especialmente em razão da escassez de chuvas no Nordeste e da ocorrência de frentes frias e geadas em áreas das regiões Sul e Sudeste.
Apesar da redução, a companhia avalia que a oferta continuará suficiente para atender ao mercado interno.
Algodão avança; trigo perde espaço
Para o algodão, a expectativa é de produção de 4,06 milhões de toneladas de pluma, com ganho de produtividade de 2,8% em relação ao ciclo anterior. O desempenho das lavouras compensou a redução de 3,2% na área plantada.
A revisão da safra também levou a Conab a elevar a previsão de exportação da fibra, que poderá alcançar 3,38 milhões de toneladas, mantendo estoques finais estimados em 2,67 milhões de toneladas.
Já o trigo deve registrar retração significativa. A estimativa é de uma colheita de 6 milhões de toneladas, volume 23,5% inferior ao da safra anterior. A redução reflete tanto a menor área destinada ao cereal quanto a expectativa de produtividade mais baixa nesta temporada.