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Agronegócio

El Niño pode provocar nova disparada nos preços do café, cacau e açúcar, alertam especialistas

Fenômeno climático com chance crescente de se intensificar até 2027 preocupa produtores e pode impactar a oferta global de importantes commodities agrícolas

Por Redação
El Niño pode provocar nova disparada nos preços do café, cacau e açúcar, alertam especialistas

A possibilidade de um novo ciclo intenso do El Niño nos próximos meses acendeu um alerta no mercado agrícola internacional. Com previsão de temperaturas acima da média e alterações significativas nos regimes de chuva em diversas regiões do planeta, o fenômeno climático pode afetar diretamente a produção de commodities estratégicas, como café, cacau e açúcar, influenciando preços e a oferta global desses produtos.

A preocupação ganhou força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicar o avanço das condições favoráveis ao desenvolvimento do El Niño. Segundo projeções recentes, existe uma probabilidade significativa de que o fenômeno se fortaleça nos próximos anos, elevando os riscos para a agricultura mundial.

O El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões climáticos em diferentes continentes. Seus efeitos costumam incluir períodos de seca prolongada em algumas regiões e excesso de chuvas em outras, impactando diretamente o desempenho das lavouras.

Cacau entre os mais vulneráveis

Entre as culturas mais expostas aos efeitos do fenômeno está o cacau. Dados históricos mostram que episódios fortes de El Niño costumam reduzir a produção global, especialmente na África Ocidental, responsável por parcela significativa do abastecimento mundial.

Nos últimos anos, países como Costa do Marfim e Gana já enfrentaram dificuldades causadas por condições climáticas extremas. Inicialmente, chuvas acima da média favoreceram o surgimento de doenças nas plantações. Posteriormente, períodos de calor intenso e ventos secos agravaram as perdas produtivas.

O impacto foi sentido diretamente no mercado internacional. Em 2024, os preços do cacau alcançaram níveis recordes, refletindo a redução da oferta e aumentando os custos para a indústria do chocolate.

Especialistas destacam que o comportamento climático tornou-se mais imprevisível, o que amplia as incertezas para os próximos ciclos produtivos.

Café pode enfrentar pressão na Ásia e no Brasil

O mercado cafeeiro também acompanha a evolução do fenômeno com atenção. O café robusta, amplamente utilizado pela indústria de cafés solúveis e blends, é considerado uma das culturas mais sensíveis às mudanças provocadas pelo El Niño.

Vietnã e Indonésia, dois dos maiores produtores mundiais da variedade, costumam registrar redução das chuvas e temperaturas mais elevadas durante episódios do fenômeno. Como os dois países respondem por aproximadamente metade da produção global de robusta, qualquer quebra de safra pode gerar repercussões relevantes nos preços internacionais.

Já no caso do café arábica, cuja liderança mundial pertence ao Brasil, os impactos tendem a ocorrer de forma mais gradual. Especialistas apontam que temperaturas mais elevadas podem inicialmente reduzir riscos de geadas durante o inverno brasileiro. No entanto, períodos prolongados de calor e estiagem podem prejudicar o desenvolvimento da safra seguinte.

Por isso, o mercado acompanha não apenas os efeitos imediatos, mas também as possíveis consequências para a produção de 2027.

Açúcar vive cenário de contrastes

O açúcar apresenta um cenário mais complexo diante do avanço do El Niño. No Brasil, maior produtor e exportador mundial, o aumento das chuvas em determinadas regiões pode prejudicar a qualidade da colheita em alguns momentos, mas também favorecer o desenvolvimento das lavouras em ciclos posteriores.

Enquanto isso, países asiáticos podem enfrentar dificuldades maiores. Na Índia, segundo maior produtor global, e na Tailândia, um dos principais exportadores do mundo, o fenômeno costuma reduzir o volume de chuvas durante períodos decisivos para o cultivo da cana-de-açúcar.

Estimativas do mercado apontam que até mesmo um evento climático de intensidade moderada poderia provocar perdas significativas na produção indiana, reduzindo a oferta global e influenciando os preços internacionais.

Mercado observa clima e geopolítica

Além das condições meteorológicas, o setor agrícola enfrenta desafios relacionados aos custos de produção. Fertilizantes, combustíveis e insumos continuam sendo fatores de preocupação para produtores em diversas partes do mundo.

Diante desse cenário, investidores, indústrias e agricultores monitoram atentamente os sinais climáticos dos próximos meses. Caso o El Niño se intensifique conforme as projeções mais recentes, os reflexos poderão ser sentidos não apenas no campo, mas também no bolso dos consumidores em diferentes países.

A combinação entre eventos climáticos extremos, oscilações na oferta agrícola e demanda global crescente mantém o mercado de commodities em estado de atenção para os próximos ciclos produtivos.

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