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Agronegócio

EUA voltam a associar desmatamento no Brasil à concorrência desleal e mantêm pressão comercial

Representante comercial do governo Trump defende investigação contra o Brasil e afirma que práticas ambientais afetam a competitividade dos produtores americanos

Por Redação Atualizado em
EUA voltam a associar desmatamento no Brasil à concorrência desleal e mantêm pressão comercial

O representante do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, voltou a afirmar que o desmatamento no Brasil gera uma vantagem competitiva considerada injusta para os produtores brasileiros e justificou a investigação comercial aberta pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos.

As declarações foram feitas durante um depoimento sobre a política comercial da administração do presidente Donald Trump. Segundo Greer, Washington tem adotado uma postura mais rigorosa ao exigir que seus parceiros comerciais cumpram padrões ambientais mínimos para garantir condições equilibradas de concorrência.

De acordo com o representante, as críticas ao desmatamento no Brasil motivaram a abertura da investigação comercial, que resultou na adoção de medidas contra o país. O processo inclui, além da questão ambiental, temas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e tarifas preferenciais.

Neste mês, o governo norte-americano concluiu a investigação e anunciou a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras, ampliando a tensão nas relações comerciais entre os dois países.

Tarifas continuam como estratégia comercial

Durante a audiência, Greer reforçou que a política comercial da administração Trump continuará baseada na combinação entre tarifas de importação e negociações bilaterais.

Segundo ele, o objetivo é fortalecer a indústria norte-americana, proteger os trabalhadores do país e reduzir o déficit comercial. A estratégia, afirmou, continuará sendo utilizada em futuras negociações internacionais.

Fertilizantes entram na pauta

Ao comentar o setor de fertilizantes, Greer disse que o governo busca ampliar a produção doméstica sem comprometer o abastecimento dos agricultores norte-americanos.

Ele afirmou que os Estados Unidos pretendem reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente da China, e evitar que subsídios concedidos por outros países prejudiquem a competitividade dos produtores locais.

Ainda segundo o representante, o governo considera importante garantir acesso aos insumos agrícolas, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a indústria nacional de fertilizantes.

Pecuária e abertura de mercados

Na área da pecuária, Greer citou como exemplo da política comercial dos Estados Unidos a abertura do mercado australiano para a carne bovina produzida no país, após cerca de duas décadas de restrições.

Ele também destacou a retomada das habilitações de frigoríficos norte-americanos para exportar carne bovina à China, afirmando que a medida amplia as oportunidades para produtos com menor consumo no mercado interno dos Estados Unidos.

Relação comercial com o Canadá

O representante do USTR também comentou as negociações com o Canadá. Segundo ele, apesar das medidas tarifárias adotadas pela administração Trump, a maior parte dos produtos canadenses continua tendo acesso preferencial ao mercado americano.

Ao mesmo tempo, Greer criticou restrições impostas pelo governo canadense a produtos dos Estados Unidos, como limitações à comercialização de bebidas alcoólicas e barreiras às exportações de automóveis fabricados em território norte-americano.

Segundo o representante, o governo dos EUA trabalha para ampliar o acesso de produtos agrícolas ao mercado canadense e também fortalecer as relações comerciais com o México, dentro da estratégia de expansão das exportações do agronegócio americano.

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