As exportações brasileiras de café fecharam a safra 2025/26 com retração de 15,7% em relação ao ciclo anterior. Ao longo da temporada, o Brasil embarcou 38,5 milhões de sacas de 60 quilos para 125 países, refletindo um cenário marcado por menor disponibilidade do produto, dificuldades logísticas e impactos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Apesar da redução no volume exportado, a receita cambial apresentou queda mais moderada, de apenas 1%, totalizando US$ 14,6 bilhões. O resultado representa o segundo maior faturamento da série histórica, impulsionado pela valorização do café no mercado internacional.
O preço médio da saca exportada atingiu US$ 379,48, alta de 17,4% sobre a temporada anterior e o maior valor já registrado pelo setor.
No primeiro semestre de 2026, os embarques somaram 17,83 milhões de sacas, volume 8,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita acumulada alcançou US$ 6,53 bilhões, redução de 13,3%.
Tarifa dos Estados Unidos reduziu embarques
Entre os fatores apontados pelo Cecafé para explicar a queda nas exportações está o chamado “tarifaço” aplicado pelos Estados Unidos ao café brasileiro entre agosto e novembro de 2025.
Durante esse período, os embarques destinados ao mercado norte-americano recuaram 54,9%, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas em comparação com o mesmo intervalo da safra anterior.
Embora a sobretaxa tenha sido posteriormente retirada para a maior parte dos cafés brasileiros — mantendo-se apenas sobre o café solúvel — a entidade avalia que o comércio bilateral ainda não retornou ao ritmo considerado normal.
Além dos reflexos das tarifas, a expectativa em torno da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) continua gerando incertezas para os exportadores brasileiros.
Alemanha assume liderança entre compradores
Os efeitos desse cenário também alteraram o ranking dos principais destinos do café brasileiro.
Pela primeira vez desde a safra 2009/10, os Estados Unidos deixaram de ocupar a liderança entre os maiores compradores do produto.
A Alemanha passou a ser o principal mercado de destino, com a importação de 5,19 milhões de sacas, equivalentes a 13,5% do total exportado. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, adquirindo 4,24 milhões de sacas — uma queda de 43,2% em relação à temporada anterior.
Mesmo assim, considerando apenas o primeiro semestre de 2026, o mercado norte-americano permaneceu como principal comprador individual do café brasileiro, com 2,18 milhões de sacas embarcadas. Ainda assim, esse volume representa retração de 34,3% frente ao mesmo período de 2025.
Oferta menor e atrasos nos portos influenciaram resultado
O Cecafé destaca que a redução nas exportações já era parcialmente esperada em razão da menor disponibilidade de café após os embarques recordes registrados em 2024, que reduziram significativamente os estoques nacionais.
Além disso, adversidades climáticas afetaram parte da produção de 2025, enquanto atrasos nos principais portos brasileiros dificultaram o embarque de centenas de milhares de sacas e elevaram os custos logísticos do setor.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, outro fator relevante foi a estratégia adotada por muitos produtores, que permaneceram capitalizados após os bons preços obtidos nos últimos anos e optaram por comercializar os estoques de forma mais gradual, aguardando momentos considerados mais favoráveis de mercado.
O atraso na colheita e as incertezas relacionadas às condições climáticas também reduziram o ritmo das vendas antecipadas, contribuindo para um desempenho mais fraco das exportações ao longo de junho.
Mesmo diante da retração nos embarques, o setor mantém expectativa de recuperação gradual, condicionada à normalização das condições logísticas, à evolução da nova safra e à estabilidade do cenário comercial internacional.