O faturamento do setor agropecuarista nacional manteve-se em patamares elevados no fechamento do último mês. Dados consolidados pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) revelam que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do país atingiu a cifra de R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, consolidando a força do campo na geração de renda interna.
A divisão macroeconômica do indicador demonstra a hegemonia do cultivo de solo no desempenho geral. As lavouras somaram R$ 908,8 bilhões em faturamento bruto, o equivalente a 64% de toda a receita setorial. Já as atividades ligadas à pecuária movimentaram R$ 510,2 bilhões, respondendo pelos 36% remanescentes do montante nacional.
Apesar de figurar entre os maiores resultados da série histórica, o VBP atual apresentou uma retração de 4,6% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O recuo é justificado por analistas técnicos em razão da queda acentuada nos preços internacionais de commodities agrícolas relevantes no mercado exportador, como o arroz, o cacau e a laranja, além de ajustes sazonais nas projeções de colheita.
No âmbito agrícola, culturas de abastecimento interno registraram forte evolução e equilibraram o balanço. A batata-inglesa liderou os ganhos com um salto de 22,3% no faturamento, acompanhada pelo feijão, com alta de 12,6%, e pela mandioca, que avançou 8,1%. No topo do ranking financeiro, a soja preservou o posto de principal produto do país, movimentando R$ 338,5 bilhões sozinha. O milho ocupou a segunda posição com R$ 162,2 bilhões, seguido de perto pela cana-de-açúcar (R$ 110,8 bilhões) e pelo café (R$ 109,6 bilhões).
Dentro do segmento de proteína animal, a bovinocultura seguiu na contramão das quedas do setor e expandiu seu faturamento em 8,9%, injetando R$ 248,7 bilhões na economia e representando, isoladamente, 17,5% do VBP total do país. O avanço compensou as retrações observadas nas cadeias produtivas de suínos (-20,3%) e de frango (-10,4%).
O mapeamento geográfico da produção reforça o protagonismo do Centro-Oeste e do Sudeste no agronegócio nacional. O estado de Mato Grosso desponta na liderança isolada do ranking de faturamento, gerando R$ 213,5 bilhões, o que corresponde a 15% de toda a receita nacional do campo. Minas Gerais ocupa a segunda posição com R$ 171,6 bilhões (12,1%), seguido pelo estado de São Paulo, que registrou R$ 159,6 bilhões (11,2%) no período analisado.