Um dos espetáculos de maior repercussão no teatro brasileiro contemporâneo tem apresentações confirmadas na capital sul-mato-grossense. Após atingir a marca de 180 mil espectadores e ultrapassar 400 sessões pelo país, a peça “A Última Sessão de Freud” chega a Campo Grande para três exibições nos dias 7, 8 e 9 de agosto de 2026, no Teatro Glauce Rocha.
O texto de Mark St. Germain ganha vida no palco sob a direção de Elias Andreato e traz no elenco os atores Odilon Wagner e Marcello Airoldi. A narrativa constrói um encontro fictício entre dois grandes intelectuais do século XX: o pai da psicanálise, Sigmund Freud, e o renomado escritor britânico C.S. Lewis, conhecido globalmente por obras como “As Crônicas de Nárnia”. O diálogo entre os personagens transforma-se em um debate sobre temas inerentes à condição humana, como fé, ciência, morte e o sentido da existência.
A temporada na cidade terá sessões na sexta-feira (7) e no sábado (8), às 20h, e encerramento no domingo (9), às 17h. Os ingressos eletrônicos já estão disponíveis para o público, com valores que variam de R$ 25 a R$ 180.
O embate entre a razão e a espiritualidade
A trama se ambienta no ano de 1939, exatamente no período em que a Inglaterra ingressava na Segunda Guerra Mundial. No consultório de Freud, exilado em solo britânico, o psicanalista defende seu posicionamento ateísta e crítico às religiões institucionais. Do outro lado, Lewis é retratado como o acadêmico que, após anos de ceticismo, converteu-se e tornou-se um dos principais defensores da teologia cristã argumentativa.
O confronto de ideias é conduzido com doses de ironia e humor refinado, explorando as contradições e os limites do conhecimento humano. Mais do que contrapor visões opostas sobre a espiritualidade, a montagem ganha contornos atuais ao valorizar o exercício da escuta e do respeito mútuo — uma dinâmica que contrasta com o cenário contemporâneo de polarização social.
Trajetória de prêmios e recepção do público
Em cartaz desde 2022 sem interrupções de temporada, a produção consolidou-se como um marco recente das artes cênicas no Brasil. A atuação de Odilon Wagner na pele de Freud rendeu ao ator indicações aos prêmios Shell, APCA e Bibi Ferreira, as principais honrarias do teatro nacional.
A montagem conta ainda com cenografia de Fábio Namatame, que reproduz minuciosamente o escritório do psicanalista austríaco, criando uma atmosfera intimista que coloca a palavra e o fluxo de pensamentos no centro da experiência teatral.
A profundidade dos diálogos faz com que o espetáculo atraia um público diversificado, despertando o interesse de estudantes, professores e profissionais ligados às áreas de Psicologia, Filosofia, História e Ciências Humanas. O debate proposto na ficção tem funcionado também como ponto de partida para discussões acadêmicas sobre tolerância e a importância da manutenção do diálogo em sociedades complexas.