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Agronegócio

Fintech do agro registra salto de 167% no crédito para cadeia leiteira e projeta R$ 1 bilhão em 2026

Com mais de 3,4 mil operações e parcerias com grandes laticínios, modelo de financiamento desburocrático alivia caixa de indústrias e aumenta a fidelidade de produtores rurais no campo.

Por Redação
Fintech do agro registra salto de 167% no crédito para cadeia leiteira e projeta R$ 1 bilhão em 2026

A concessão de crédito voltada para a cadeia produtiva do leite no Brasil registrou um crescimento expressivo ao longo do último ano. Impulsionado pela digitalização e pela busca por alternativas aos modelos bancários tradicionais, o volume de financiamentos intermediados pela fintech AgroForte deu um salto de aproximadamente 167%. O balanço aponta que a plataforma superou a marca de 3.400 operações financeiras realizadas em 2025, concentrando a maior parte da sua atuação nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O avanço desse mercado reflete uma mudança estrutural na forma como a agroindústria e os pecuaristas gerenciam seus recursos. Hoje, o segmento de lácteos é o principal motor da operação da startup, respondendo por 70% de todas as transações da carteira. Nas fazendas, o ticket médio tomado pelos produtores gira em torno de R$ 200 mil por operação, montante direcionado prioritariamente para investimentos na modernização das propriedades, ampliação dos rebanhos e melhoria dos indicadores de qualidade do leite cru.

Os impactos econômicos e operacionais desse fluxo de capital foram mapeados no relatório “Trazendo o Impacto à Luz: O Caso AgroForte”, elaborado pela instituição financeira Credit Saison Brazil (CSBR). O diagnóstico aponta que o modelo de crédito baseado em ecossistemas integrados gera um alívio financeiro mútuo. Para as indústrias compradoras, a disponibilidade de financiamento direto aos fornecedores mitiga a pressão sobre o capital de giro, eliminando a necessidade de adiantar recursos próprios para garantir o abastecimento de matéria-prima.

Além do aspecto puramente financeiro, o acesso ao crédito tem se transformado em uma ferramenta de estabilidade operacional no campo. De acordo com os dados do estudo do CSBR, mais de 75% dos pecuaristas entrevistados afirmaram que a facilidade em obter os recursos aumentou de forma significativa a disposição de permanecerem vinculados e fornecendo para a agroindústria parceira. Essa retenção é considerada estratégica em um mercado marcado pela volatilidade de preços e pela concorrência acirrada por fornecedores qualificados.

Atualmente, o ecossistema conta com cerca de 50 indústrias e cooperativas conectadas. Entre os parceiros comerciais que utilizam a plataforma para ancorar suas cadeias de suprimentos estão marcas consolidadas do mercado de alimentos, como Lactalis, Vigor, Catupiry, Cemil, Alvoar, Quatá e Cativa. A liderança em volume de recursos movimentados pertence a Minas Gerais, maior bacia leiteira do país, seguida de perto pelas estruturas produtivas paulista e gaúcha.

Para o ciclo de 2026, as projeções do setor indicam uma continuidade na rota de expansão. A meta traçada pela liderança da fintech é dobrar o volume de operações vigentes e alcançar o marco de R$ 1 bilhão em originação de crédito. O planejamento estratégico prevê, além da consolidação no segmento de lácteos, o avanço gradual sobre outras cadeias de proteína animal.

A desburocratização no acesso ao capital é apontada pela direção da empresa como o principal fator de tração para o crescimento de três dígitos em doze meses. Segundo a governança da plataforma, os resultados operacionais do último ano validam a tese de que o campo necessita de soluções de liquidez mais ágeis do que as ofertadas pelas linhas tradicionais de fomento, criando um ambiente de negócios mais previsível e sustentável para toda a engrenagem do agronegócio.

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