A forte queda nas temperaturas registrada nas últimas semanas em Mato Grosso do Sul causou a morte de 83 bovinos em decorrência do frio. Os dados foram oficializados pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) após notificações emitidas por proprietários rurais de cinco fazendas situadas na região sul do Estado.
O balanço aponta que a maioria dos casos ocorreu no município de Nova Andradina, onde 74 animais morreram em quatro propriedades distintas. As outras nove mortes foram contabilizadas em uma fazenda localizada em Angélica. Desde o início de maio, o território sul-mato-grossense vem enfrentando frentes frias sucessivas, com termômetros abaixo dos 7°C e sensação térmica que chegou a 0°C em algumas localidades, combinando baixa temperatura, chuva e ventos fortes.
O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, explicou que o estresse fisiológico causado pela combinação de umidade e vento é o principal fator de risco para a hipotermia no rebanho. O dirigente ressaltou que o manejo adequado e a oferta de abrigos são fundamentais para evitar perdas, lembrando que a legislação não prevê indenizações financeiras por parte do Estado nesses casos, sendo a proteção dos animais uma responsabilidade direta dos produtores.
O cenário atual contrasta com o histórico recente do Estado, já que em 2025 não houve registros de mortes de bovinos por hipotermia em Mato Grosso do Sul. Diante do quadro observado neste ano, a agência sanitária emitiu uma nota técnica com caráter orientativo para o setor pecuário, detalhando estratégias de manejo emergencial para garantir o conforto térmico e a sobrevivência do rebanho durante o período de inverno.
Entre as principais recomendações técnicas divulgadas pelo órgão está o recolhimento do gado em piquetes que possuam barreiras naturais ou artificiais contra correntes de ar, como capões de mata, bosques ou árvores. A agência orienta os produtores a evitarem a permanência dos animais em invernadas próximas a rios e lagos, locais onde a umidade agrava a sensação de frio.
O documento da Iagro também preconiza atenção redobrada com animais debilitados, jovens ou mais sensíveis, sugerindo o confinamento em áreas próximas aos currais para facilitar a assistência veterinária. Além da proteção física, os técnicos recomendam o reforço na alimentação suplementar por meio de forragens, volumosos ou concentrados, medida considerada essencial para suprir as necessidades energéticas do rebanho em períodos de pastagens escassas e alto desgaste metabólico devido ao clima.