Mais da metade dos brasileiros vê o avanço da inteligência artificial com preocupação. Levantamento do Pew Research Center mostra que 52% da população está mais preocupada do que entusiasmada com o crescimento da IA, enquanto os possíveis impactos sobre o mercado de trabalho também despertam insegurança: 42% acreditam que a tecnologia poderá reduzir o número de empregos.
Os dados colocam o Brasil entre os países com maior nível de preocupação com a inteligência artificial. Enquanto 52% dos brasileiros demonstram receio, 37% afirmam sentir preocupação e entusiasmo ao mesmo tempo. Apenas 9% se dizem mais entusiasmados do que preocupados com a expansão da tecnologia.
No conjunto das nações analisadas, a mediana de pessoas mais preocupadas do que entusiasmadas é de 37%. Outros 41% apresentam sentimentos mistos e 13% demonstram maior entusiasmo.
A pesquisa ouviu 42.151 pessoas em 36 países entre fevereiro e maio deste ano.
IA aumenta preocupação com empregos
O futuro do trabalho aparece entre os principais pontos de incerteza. No Brasil, 42% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial provocará redução no número de empregos nos próximos 20 anos.
Outros 34% afirmam não saber quais serão os efeitos da tecnologia sobre o emprego. Para 11%, a IA não deverá alterar a quantidade de vagas, enquanto 13% acreditam que a inovação poderá gerar mais postos de trabalho.
No cenário internacional, a percepção sobre possíveis perdas de empregos varia de forma significativa. A Austrália aparece entre os países com maior preocupação, com 76% dos entrevistados projetando redução das vagas. Nos Estados Unidos, essa percepção chega a 71%.
Considerando os países pesquisados, a mediana dos que esperam redução de empregos é de 46%.
Preocupação cresce entre jovens brasileiros
A idade também influencia a maneira como a inteligência artificial é percebida no Brasil.
Entre pessoas com 50 anos ou mais, 58% estão mais preocupadas do que entusiasmadas com o avanço da tecnologia.
Embora a preocupação ainda seja maior entre os mais velhos, houve crescimento expressivo entre brasileiros de 18 a 34 anos. Nesse grupo, a parcela dos que demonstram maior preocupação passou de 32% em 2025 para 44% em 2026, uma alta de 12 pontos percentuais em um ano.
O aumento acompanha uma tendência observada também em outros países, como Estados Unidos, Suécia, Polônia, Japão e Austrália.
Ao mesmo tempo, os jovens são os que relatam maior contato com informações sobre inteligência artificial. No Brasil, 48% das pessoas entre 18 e 34 anos dizem ler ou ouvir muito sobre o assunto.
Entre os entrevistados de 35 a 49 anos, esse percentual é de 33%. Já entre pessoas com 50 anos ou mais, cai para 16%.
Tecnologia também provoca dúvidas sobre desigualdade
Os possíveis efeitos econômicos da IA não se limitam ao emprego.
No Brasil, 24% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial poderá aumentar a distância entre ricos e pobres. O resultado fica abaixo da mediana internacional de 28%.
A incerteza, porém, predomina: 42% dos brasileiros afirmam não saber qual será o impacto da tecnologia sobre a desigualdade econômica.
O levantamento também identificou diferenças de percepção relacionadas a gênero, renda e escolaridade em alguns dos países pesquisados. Em 11 das 36 nações, mulheres demonstraram maior tendência do que homens a acreditar que a IA provocará redução de empregos.
Nos países de renda média analisados, pessoas com maior escolaridade e renda familiar também aparecem, em diferentes casos, entre as mais propensas a prever perdas de vagas.
Os resultados mostram um cenário no qual o avanço da inteligência artificial desperta interesse, mas também amplia dúvidas sobre trabalho, renda e mudanças no cotidiano. No Brasil, a preocupação já atinge mais da metade da população e começa a crescer também entre as gerações mais jovens.