O mês de junho centraliza debates em todo o país voltados à proteção e garantia de direitos da população idosa. Batizada de Junho Prata, a campanha anual tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o combate a todas as formas de violência, negligência e abandono que afetam essa parcela dos cidadãos. A iniciativa busca incentivar denúncias, além de fomentar discussões sobre políticas públicas e ações comunitárias capazes de assegurar um envelhecimento digno, saudável e integrado.
Instituída formalmente em Mato Grosso do Sul pela Lei Estadual 5.546/2020, a campanha utiliza a cor prata em alusão aos cabelos grisalhos, símbolo tradicional de experiência e sabedoria. Para além do enfrentamento direto às agressões físicas ou patrimoniais, o movimento joga luz sobre violências silenciosas, como o distanciamento familiar e a falta de assistência emocional, fatores que aceleram o declínio da saúde mental e física na terceira idade.
O enfrentamento a esse cenário tem mobilizado organizações da sociedade civil que atuam no suporte preventivo. Especialistas da área destacam que a melhor estratégia contra o isolamento é o fortalecimento de vínculos sociais e a promoção da autonomia. Um exemplo desse modelo de intervenção é o projeto Ativa Idade, mantido há 13 anos pela Fundação Manoel de Barros (FMB). A iniciativa, que começou prestando atendimento a apenas sete participantes, expandiu-se e hoje acompanha 164 idosos, oferecendo mais de 30 horas semanais de suporte multidisciplinar.
A coordenação do projeto aponta que, embora o foco inicial estivesse concentrado na saúde física — sobretudo no fortalecimento muscular para a prevenção de quedas —, o cotidiano evidenciou a necessidade de uma abordagem integral. O atendimento evoluiu para contemplar o suporte socioemocional, a autoconfiança e a reinserção familiar. Atualmente, a grade de atividades engloba oficinas de estimulação cognitiva, aulas de inclusão digital, pilates, dança, tai chi chuan, coral e rodas de conversa mediadas por profissionais de psicologia e teatro.
Essas práticas alinham-se às diretrizes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, operando de forma essencialmente preventiva. Ao ocupar o tempo livre com aprendizado e socialização, o idoso distancia-se do quadro de vulnerabilidade que muitas vezes precede o abandono. De acordo com a direção da FMB, o respeito à população idosa deve ser uma prática diária, sendo o Junho Prata o momento oportuno para dar visibilidade às contribuições históricas desses indivíduos nas estruturas familiares e na transmissão de valores entre gerações.
Como parte das mobilizações deste ano, ações digitais buscam conectar diferentes faixas etárias. Uma série de vídeos produzidos para as redes sociais colheu depoimentos de jovens sobre o papel dos idosos em suas trajetórias pessoais, estimulando a empatia mútua. A programação do mês prevê ainda dinâmicas internas e debates abertos, reforçando a premissa de que a segurança e o bem-estar na velhice constituem uma responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias e comunidade.