Após mais de duas semanas de apuração marcada por uma disputa voto a voto, Keiko Fujimori foi confirmada como vencedora das eleições presidenciais do Peru. Com 99,9% das urnas contabilizadas, a candidata do partido Fuerza Popular alcançou 50,11% dos votos válidos e não pode mais ser ultrapassada pelo adversário Roberto Sánchez.
De acordo com a atualização divulgada pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) durante a madrugada desta quarta-feira (24), Keiko somava 9.206.241 votos, enquanto Sánchez registrava 9.162.855 votos. Restavam cerca de 40 mil votos a serem contabilizados, quantidade insuficiente para alterar o resultado da disputa.
O segundo turno foi marcado por uma das apurações mais equilibradas da história recente do país. Ao longo dos 17 dias de contagem, realizada majoritariamente por meio de cédulas de papel, os dois candidatos alternaram posições diversas vezes. Em alguns momentos, a diferença chegou a ser praticamente inexistente, refletindo a forte divisão do eleitorado peruano.
A confirmação da vitória ocorre em meio a questionamentos apresentados pela campanha de Roberto Sánchez. Na terça-feira (23), o candidato da esquerda, representante do partido Juntos por el Perú, afirmou que não reconheceria o resultado eleitoral, alegando supostas irregularidades no processo de contagem dos votos. A legenda ingressou na Justiça com um pedido para anular votos registrados por eleitores residentes no exterior.
Apesar das contestações, os números divulgados pela autoridade eleitoral indicam que a vantagem obtida por Keiko é matematicamente suficiente para garantir sua eleição.
A vitória representa um marco político para o Peru. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000, Keiko disputou as três últimas eleições presidenciais e havia sido derrotada em todas elas. Desta vez, conseguiu converter sua quarta candidatura em vitória.
Além do simbolismo de sua trajetória política, Keiko Fujimori entra para a história como a primeira mulher eleita presidente do Peru por meio do voto direto.
Ela assume o comando de um país que enfrenta um longo período de instabilidade política. Com sua posse, o Peru chegará ao nono presidente em apenas dez anos, cenário que evidencia as frequentes mudanças no poder e os desafios institucionais enfrentados pela nação andina na última década.
A expectativa agora se volta para os próximos passos do processo eleitoral e para a formação do novo governo, que terá pela frente o desafio de administrar um país politicamente dividido após uma das eleições mais disputadas de sua história recente.