ícone whatsapp ícone instagram
Agronegócio

Preço do açúcar recua enquanto etanol ganha força com expectativa de mudança na gasolina

Mercado acompanha possível aumento da mistura de etanol na gasolina, enquanto oferta de açúcar mantém pressão sobre os preços mesmo após impacto das chuvas na produção.

Por Redação
Preço do açúcar recua enquanto etanol ganha força com expectativa de mudança na gasolina

O mercado sucroenergético brasileiro vive um momento de movimentos opostos entre seus principais produtos. Enquanto os preços do açúcar cristal branco seguem em queda no estado de São Paulo, maior produtor nacional, o etanol acumula a segunda semana consecutiva de valorização, impulsionado pela expectativa de mudanças na política energética do país.

A atenção dos agentes do setor está voltada para a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve analisar a proposta de ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. A possibilidade tem aquecido as negociações envolvendo o biocombustível e influenciado diretamente o comportamento do mercado.

Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços do etanol anidro e hidratado permaneceram sustentados nos últimos dias, refletindo tanto a expectativa em torno da medida quanto as dificuldades operacionais provocadas pelas chuvas em algumas regiões produtoras.

No caso do açúcar, o cenário é diferente. Apesar de as precipitações terem reduzido o ritmo de colheita e moagem da cana-de-açúcar em parte do Centro-Sul, a oferta disponível ainda é considerada suficiente para atender à demanda, fator que mantém pressão sobre as cotações.

Além disso, compradores seguem adotando postura cautelosa, aguardando melhores condições para negociação. A combinação entre demanda mais lenta e disponibilidade do produto contribui para o enfraquecimento dos preços no mercado paulista.

Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que a produção de açúcar na região Centro-Sul alcançou 2,19 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, volume 25% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

A retração está associada às condições climáticas adversas observadas em importantes áreas produtoras de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Outro fator relevante é o aumento da destinação da cana para a produção de etanol, movimento que tem sido incentivado pela valorização do combustível.

No segmento de biocombustíveis, produtores demonstram maior firmeza nas negociações. As interrupções temporárias em unidades industriais devido às chuvas reduziram a disponibilidade imediata do produto em algumas localidades, favorecendo a sustentação dos preços.

Pelo lado da demanda, o consumo de etanol hidratado apresentou crescimento em estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Já em São Paulo, principal mercado consumidor do país, o volume de negócios permaneceu estável nas últimas semanas.

Apesar da valorização recente, distribuidoras continuam atuando com cautela. A avaliação do mercado é de que a produção segue robusta e os estoques permanecem acima dos níveis observados no mesmo período da safra anterior, cenário que ainda limita movimentos mais expressivos de alta.

Com o setor atento às decisões do governo e ao comportamento climático das próximas semanas, a tendência é de manutenção da volatilidade tanto no mercado do açúcar quanto no de combustíveis renováveis.

Gostou? Compartilhe:

Notícias Relacionadas

+ ver mais