O desembarque de todos os passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius foi concluído neste sábado (23), após a confirmação de um surto de hantavírus a bordo. O capitão da embarcação, Jan Dobrogowski, foi o último a deixar o navio e, segundo as autoridades sanitárias, não apresenta sintomas da doença. A informação foi detalhada pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Até o momento, o monitoramento oficial da OMS contabiliza 12 casos confirmados da infecção e três óbitos relacionados ao surto. De acordo com o balanço epidemiológico da agência, nenhuma nova morte foi registrada desde o dia 2 de maio. Com a evacuação total do navio, todas as pessoas que estavam a bordo foram encaminhadas para um regime de quarentena estrita, onde permanecem sob vigilância médica contínua para identificação precoce de possíveis novos sintomas e suporte assistencial imediato.
A principal linha de investigação científica da OMS aponta que o caso zero — o primeiro paciente a manifestar a enfermidade — contraiu o vírus em ambiente terrestre, antes do início da viagem programada. No entanto, análises preliminares de sequenciamento genético revelaram uma similaridade quase idêntica entre as amostras dos diferentes pacientes, o que reforça a hipótese de que houve transmissão subsequente de pessoa para pessoa no interior da embarcação.
Embora o período de incubação prolongado do hantavírus possa fazer com que novos diagnósticos surjam nas próximas semanas entre os indivíduos isolados, a governança da OMS reiterou que não há indícios de uma dispersão em larga escala fora do grupo monitorado. O comando da agência internacional manifestou reconhecimento público à gestão da tripulação durante o período de isolamento em alto-mar, destacando que a cooperação técnica foi determinante para garantir a segurança no processo de repatriação e na condução dos protocolos de contenção biológica.