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Economia

Banco Central derruba limite de R$ 500 para transações do Pix por aproximação

Nova instrução normativa do BC transfere o controle do teto financeiro para o próprio usuário e entra em vigor a partir de outubro de 2026.

Por Redação
Banco Central derruba limite de R$ 500 para transações do Pix por aproximação

O Banco Central (BC) formalizou a retirada do limite diário de R$ 500 para as transações efetuadas por meio do Pix por aproximação. A medida, publicada no Diário Oficial da União através de uma nova instrução normativa, transfere para o consumidor o controle sobre o teto financeiro de seus pagamentos, permitindo que cada usuário solicite a ampliação ou a redução dos valores diretamente com sua instituição financeira. As novas diretrizes passam a valer oficialmente a partir do dia 1º de outubro de 2026.

Com a publicação do documento, o órgão regulador extingue as amarras impostas pela regulamentação anterior, editada em agosto de 2024, que fixava o teto por operação na modalidade. Disponibilizada pelas instituições bancárias desde fevereiro de 2025, a ferramenta replica a experiência de uso dos cartões físicos tradicionais de crédito e débito, permitindo pagamentos rápidos em máquinas de cartão sem a necessidade de abrir o aplicativo bancário a cada compra.

A flexibilização busca dar mais fluidez à modalidade, que depende da integração com carteiras digitais populares, como Google Pay, Apple Pay e Samsung Pay. Uma vez realizada a vinculação entre a conta corrente e a carteira digital do smartphone, o processo de pagamento é concluído apenas com a aproximação do aparelho à máquina do estabelecimento comercial e a respectiva validação biométrica ou por senha.

Consolidação do ecossistema e bancarização

A mudança regulatória acompanha a consolidação do Pix como o meio de pagamento mais popular do território nacional, utilizado atualmente por 76,4% da população brasileira. Desde o seu lançamento, o ecossistema financeiro movimentou uma cifra superior a R$ 75,4 trilhões, distribuídos em aproximadamente 181,6 bilhões de operações institucionais até o balanço mais recente do fechamento do ano passado.

O impacto da ferramenta ultrapassa a mera facilidade de transferência. Segundo avaliações da diretoria do Banco Central, o Pix atuou como um motor fundamental para a inclusão bancária de parcelas significativas da sociedade que antes operavam à margem do mercado financeiro formal.

Durante participação em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal em maio deste ano, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rechaçou a existência de uma concorrência predatória entre o novo arranjo e as modalidades tradicionais.

“O Pix incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter contas bancárias e, consequentemente, cartão de crédito”, afirmou o dirigente na ocasião, reforçando o caráter complementar entre as ferramentas.

Expansão no comércio e serviços

A eficiência do sistema tem provocado mudanças profundas na rotina de cobranças e no comércio eletrônico. Indicadores do mercado educacional privado fornecidos pela plataforma Gennera apontam que o pagamento de mensalidades escolares e acadêmicas via Pix registrou expansão de 21% ao longo de 2025, movimentando R$ 690 milhões no segmento.

A tendência de dominância se repete no varejo digital. Projeções da fintech de pagamentos Ebanx sinalizam que o Pix deve ampliar sua recente liderança sobre os cartões de crédito no comércio eletrônico. A estimativa do setor é de que o Pix seja responsável por metade de todas as transações financeiras realizadas no e-commerce até o ano de 2028.

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