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Economia

Produção industrial tem pior agosto desde 2015 e investimento recua, aponta CNI

Índice de produção caiu para 46,3 pontos em agosto, enquanto intenção de investimento da indústria atingiu em setembro o menor nível desde 2020.

Por Redação
Produção industrial tem pior agosto desde 2015 e investimento recua, aponta CNI

A produção industrial brasileira perdeu força em agosto e registrou o pior desempenho para o mês desde 2015. O índice que acompanha a evolução da atividade caiu 4,7 pontos, de 51 para 46,3 pontos, segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta segunda-feira (21).

O resultado abaixo da marca de 50 pontos indica redução da produção em relação ao mês anterior. O comportamento também chama atenção por contrariar o movimento mais comum para agosto. Nos últimos 11 anos, o indicador ficou abaixo dessa linha no mês apenas em 2025 e 2026.

A desaceleração da indústria também aparece nas decisões sobre novos investimentos. Em setembro, o indicador de intenção de investimento recuou de 52,6 para 51,3 pontos, queda de 1,3 ponto em apenas um mês.

É o menor nível registrado desde agosto de 2020, período marcado pelos impactos da pandemia de Covid-19. O indicador acumula quatro meses consecutivos de queda e, desde maio, já perdeu 3,5 pontos.

Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, os números refletem a “perda de ritmo da atividade industrial”, combinada a um cenário de maior incerteza. Esse ambiente, de acordo com a avaliação apresentada pela entidade, tem levado empresas a adotar mais cautela antes de ampliar investimentos, produção ou contratações.

Expectativas da indústria também pioram

O levantamento mostra que a cautela não está restrita aos investimentos. Os quatro indicadores que medem as expectativas dos empresários industriais apresentaram queda em setembro.

A expectativa para a demanda por produtos recuou 1,4 ponto e chegou a 51,2 pontos. O índice relacionado à compra de insumos e matérias-primas caiu 0,8 ponto, para 50,4.

Os dois indicadores ainda permanecem acima dos 50 pontos, o que sinaliza expectativa de crescimento nos próximos seis meses, mas em ritmo menor.

O cenário é diferente para exportações e emprego. A expectativa para a quantidade exportada caiu 0,6 ponto, chegando a 48,9 pontos. Já o indicador referente ao número de empregados recuou 0,2 ponto e ficou em 49,2. Valores abaixo de 50 sinalizam perspectiva de redução.

Capacidade das fábricas recua para 69%

A perda de ritmo também atingiu a utilização da capacidade instalada da indústria. O indicador caiu um ponto percentual em agosto e ficou em 69%, dois pontos percentuais abaixo da média histórica para o mês.

No mercado de trabalho industrial, o índice de evolução do número de empregados recuou 0,4 ponto e terminou agosto em 48,2 pontos, também abaixo da linha que separa crescimento de retração.

Os estoques de produtos finais acompanharam o movimento. O índice caiu de 51 para 49,5 pontos entre julho e agosto, indicando redução. Apesar disso, o volume armazenado pelas empresas permaneceu próximo ao nível considerado planejado pelo setor.

A Sondagem Industrial ouviu 1.403 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro. Do total, 587 são pequenas, 487 médias e 329 grandes empresas.

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