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Economia

Banco Central eleva projeção de crescimento do PIB para 2% em 2026, mas alerta para risco de estouro da meta da inflação

Relatório de Política Monetária aponta dinamismo na agropecuária e na indústria; cenário internacional pressiona preços e eleva probabilidade de inflação fechar o ano acima do teto para 79%.

Por Redação
Banco Central eleva projeção de crescimento do PIB para 2% em 2026, mas alerta para risco de estouro da meta da inflação

O Banco Central (BC) revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026. De acordo com o Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (25), a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2%. A mudança foi impulsionada pelo desempenho acima do esperado no primeiro trimestre do ano, além de perspectivas mais favoráveis para os setores da agropecuária e da indústria extrativa.

Nos primeiros três meses de 2026, a atividade econômica registrou um avanço de 1,1% na comparação com o último período do ano anterior. O resultado positivo foi verificado de forma disseminada na agropecuária, na indústria e no setor de serviços. Diante desses indicadores, a autoridade monetária elevou as expectativas para a demanda interna, o que engloba tanto o consumo das famílias quanto os investimentos do setor privado. O dinamismo recente está atrelado, em parte, a estímulos fiscais e de crédito, embora o BC pondere que a trajetória mais alta das taxas de juros atue em sentido oposto, mitigando esse impulso.

Apesar do otimismo com a atividade produtiva, o cenário inflacionário impõe cautela. A probabilidade de a inflação oficial (IPCA) estourar o teto da meta estabelecida para 2026 saltou de 30%, na estimativa de março, para 79% no relatório atual. A meta central estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com limite máximo de tolerância de 4,5%. A autarquia projeta que o índice deve subir e permanecer acima do teto por mais de dois trimestres seguidos antes de iniciar uma trajetória de queda em 2027. Para o quarto trimestre de 2027, o horizonte relevante atual, a projeção aponta para uma inflação de 3,7%.

Entre as justificativas para a pressão altista estão as recentes surpresas com o IPCA, que fechou maio em 0,58% e acumulou 4,72% em 12 meses, além da valorização de commodities como o petróleo e seus derivados no mercado internacional. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu recentemente a taxa Selic para 14,25% ao ano, mantendo cortes cautelosos de 0,25 ponto percentual devido às incertezas e aos reflexos globais dos conflitos no Oriente Médio, que impactam diretamente os custos de combustíveis e alimentos.

No mercado de crédito, o Banco Central manteve a projeção de crescimento do saldo total em 9% para este ano, sinalizando uma desaceleração pelo segundo ano consecutivo. O panorama revela comportamentos distintos entre as modalidades: enquanto a estimativa para o crédito livre recuou para 7,8%, o crédito direcionado foi revisado para cima, alcançando 10,7%. O avanço nas linhas direcionadas reflete o impacto de programas governamentais focados em micro e pequenas empresas, como a flexibilização de contratações no âmbito do Pronampe.

Por fim, as contas externas registraram uma melhora nas previsões. O BC reduziu a estimativa de déficit em transações correntes de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões para 2026, montante que representa 2,1% do PIB. A melhora é explicada principalmente pelo avanço do saldo comercial, favorecido pela alta dos preços de exportação de produtos como petróleo, soja e carne bovina. De acordo com o relatório, o financiamento desse déficit segue assegurado pelo ingresso de Investimento Direto no País (IDP), cuja projeção de fluxo líquido foi elevada para US$ 75 bilhões.

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