O Banco Central incluiu Mato Grosso do Sul no Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), o indicador oficial utilizado pela autoridade monetária para acompanhar o ritmo financeiro e produtivo nas diferentes regiões do país. A mudança ocorre em um período de consolidação da economia sul-mato-grossense, que registrou uma expansão de 4,4% em 2025 na comparação com o ano anterior.
Além de Mato Grosso do Sul, o Banco Central incorporou Mato Grosso, Maranhão e Rio Grande do Norte ao monitoramento. Com a expansão, o total de estados analisados subiu de 13 para 17, elevando a representatividade do índice de 85,2% para 91,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Na prática, a inserção assegura maior visibilidade institucional e permite um acompanhamento mensal mais ágil das oscilações do mercado local, reduzindo a dependência de dados que costumam apresentar maior defasagem temporal, como os levantamentos tradicionais.
A decisão de reavaliar o peso dessas economias decorre do avanço recente de setores estratégicos, como a produção de celulose, bioenergia, complexo agropecuário, logística e o comércio exterior. De acordo com o primeiro boletim com os dados ampliados, a taxa de crescimento de Mato Grosso do Sul ficou próxima do dobro da média nacional, que fechou em 2,5% no ano de 2025. O resultado local foi sustentado fundamentalmente pela atividade agrícola, segmento que representa 18,9% do valor adicionado bruto do Estado.
Por outro lado, o desempenho sul-mato-grossense enfrentou retração na indústria de transformação, que recuou cerca de 13% e gerou um impacto negativo de 0,3 ponto percentual no índice geral do Estado. Esse recuo setorial foi motivado, principalmente, pela forte redução na fabricação de biocombustíveis no período.
No panorama regional, o Centro-Oeste retomou a liderança do crescimento no país, com uma alta de 5% em 2025, superando os 2,7% registrados em 2024. O desempenho foi impulsionado significativamente por Mato Grosso, que obteve a maior taxa de expansão do território nacional, com avanço de 7,7% ancorado na agricultura — setor que equivale a 30% do valor adicionado bruto da economia mato-grossense. Ao todo, das 17 unidades da federação avaliadas pelo indicador, dez apresentaram resultados acima da média do Brasil.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Ricardo Sabbadini, esclareceu que a ampliação do IBCR foi viabilizada pelo aumento na oferta de dados primários regionalizados, sobretudo os indicadores apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o técnico da autoridade monetária, as novas inclusões diminuem a distância entre o peso real das economias estaduais e a cobertura do monitoramento oficial, entregando um diagnóstico mais fiel da atividade econômica brasileira.