O mercado financeiro revisou para cima, pela décima primeira semana consecutiva, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (25), a expectativa média para a inflação oficial do país avançou de 4,92% para 5,04%. Com o novo ajuste, o indicador rompe o teto da meta estabelecida para o período.
A meta de inflação, determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), está fixada em 3%, possuindo uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o limite máximo permitido para evitar o descumprimento do objetivo é de 4,5%. Analistas apontam que as tensões geopolíticas no Oriente Médio têm exercido pressão direta sobre as cotações internacionais de energia, encarecendo os combustíveis e contaminando os preços internos. Apesar do cenário futuro de alerta, o IPCA acumulado em 12 meses até abril registrou 4,39%, mantendo-se temporariamente dentro da faixa regulamentar. Para os anos seguintes, as estimativas oscilaram levemente, projetando 4,01% em 2027 e 3,65% em 2028.
Para contrabalançar o movimento de alta, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, o colegiado reduziu os juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, após o indicador ter permanecido em 15% ao ano entre junho do ano passado e março deste ano — o patamar mais elevado em quase duas décadas. No entanto, em sua última ata, o Copom evitou sinalizar os próximos passos da política monetária, ressaltando que monitora a extensão dos impactos dos conflitos internacionais sobre o preço dos alimentos e da energia. O próximo encontro dos diretores ocorre nos dias 16 e 17 de junho.
Mesmo diante das incertezas inflacionárias, o mercado manteve a previsão de que a Selic encerre o ano em 13,25%. Para 2027, os analistas estimam um recuo para 11,25% ao ano. No curto prazo, juros mais altos tendem a encarecer o crédito e desestimular o consumo, auxiliando no controle dos preços em detrimento de uma expansão econômica mais acelerada.
Por outro lado, as expectativas de crescimento para a atividade econômica brasileira mostraram melhora na edição atual do boletim. A estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano passou de 1,85% para 1,89%, vindo de um crescimento consolidado de 2,3% registrado no ano passado. Para o fechamento de 2027, contudo, a projeção do PIB recuou de 1,77% para 1,7%. No câmbio, as instituições financeiras projetam que o dólar encerre o ano cotado a R$ 5,17, oscilando para R$ 5,26 ao término do ano seguinte.