O Brasil registrou uma redução de 11,45% nos casos de feminicídio durante os meses de abril e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento estatístico, consolidado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), mostra que o total de vítimas caiu de 262 para 232, o que significa que 30 mulheres a menos foram assassinadas em decorrência de violência de gênero no bimestre analisado.
A retração dos índices foi impulsionada sobretudo pelo comportamento do mês de abril, quando o recuo atingiu 23,94%, passando de 142 ocorrências em 2025 para 108 casos neste ano. Já o mês de maio apresentou uma estabilização com leve tendência de queda, contabilizando 124 registros frente aos 120 anotados no mesmo intervalo do ano passado.
A melhora nos indicadores ocorre em paralelo aos primeiros meses de funcionamento do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado formalmente em fevereiro de 2026. A iniciativa desenha um modelo que unifica os esforços das esferas federal, estadual e municipal, além de envolver diretamente os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na tentativa de frear o ciclo de violência antes que ele atinja o desfecho mais grave.
De acordo com a pasta da Justiça, a articulação e o foco em colocar a integridade física das mulheres no centro das discussões institucionais são determinantes para o alcance desses resultados. A avaliação técnica é de que a união entre os órgãos de fiscalização e o sistema de Direito começa a gerar reflexos sociais práticos no território nacional.
Entre as frentes de atuação de maior impacto operacional está a segunda fase da Operação Mulher Segura, iniciada em 1º de junho e com previsão de término para dezembro deste ano. Sob a coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e em cooperação com o Ministério das Mulheres e forças policiais variadas — incluindo as polícias Civil, Militar, Penal, Rodoviária Federal e Guardas Municipais —, a mobilização foca tanto na punição quanto no suporte preventivo.
Apenas na primeira quinzena de junho, a ação policial efetuou 630 prisões e realizou mais de 300 atividades educativas presenciais e virtuais, atingindo diretamente mais de 12 mil pessoas com palestras de conscientização. O suporte assistencial também deu acolhimento especializado a mais de duas mil mulheres em situação de vulnerabilidade. A mobilização herda a metodologia testada na primeira etapa da operação, ocorrida entre fevereiro e março, período em que mais de seis mil agressores foram detidos no país.
Embora o cenário do bimestre indique um recuo relevante, as autoridades de segurança pública reforçam que os índices gerais permanecem elevados e demandam monitoramento ininterrupto. O foco das próximas etapas do programa interministerial está na qualificação dos inquéritos policiais, no fortalecimento das redes de acolhimento regionais e na expansão das medidas protetivas de urgência para consolidar a tendência de queda ao longo de todo o segundo semestre.