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Com consumo conservador, Campo Grande se destaca entre as capitais brasileiras com menor endividamento

Estudo da Fecomércio SP aponta que a capital sul-mato-grossense mantém índices de dívidas abaixo da média nacional, apesar do avanço recente de contas em atraso.

Por Redação
Com consumo conservador, Campo Grande se destaca entre as capitais brasileiras com menor endividamento

Campo Grande consolidou sua posição entre as capitais brasileiras com os menores níveis de endividamento familiar do país. Os dados constam na pesquisa “Radiografia do Endividamento”, desenvolvida pela Fecomércio SP, que aponta que o município consegue manter seus índices financeiros abaixo da média nacional. O cenário local caminha na contramão do avanço expressivo de dívidas registrado em outras principais regiões metropolitanas do Brasil.

O desempenho positivo não é um fato isolado, mas sim o reflexo de uma tendência estrutural. Entre os anos de 2022 e 2024, a capital de Mato Grosso do Sul já se destacava no cenário nacional ao lado de municípios como Goiânia, Salvador e Belém no grupo de cidades com menor crescimento da inadimplência. Analistas do setor econômico associam essa estabilidade ao bom momento econômico do estado — puxado pela força do agronegócio e do setor de serviços — somado a um comportamento de compra nitidamente mais cauteloso por parte da população local.

Na prática, o cotidiano dos moradores confirma a busca por um orçamento equilibrado. A dona de casa Rita Spampinato, residente em uma propriedade rural próxima à capital, relata que a inflação tem moldado suas decisões de consumo. Com a responsabilidade de manter cerca de 30 animais, Rita optou por priorizar despesas essenciais e aboliu o uso do cartão de crédito após experiências negativas com instituições bancárias, uma estratégia para blindar a renda familiar contra imprevistos.

Embora o panorama geral seja controlado, os indicadores locais exigem atenção e mostram evolução. Em março, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) revelou que o índice de famílias com algum tipo de compromisso financeiro parcelado — como cartão de crédito, financiamentos, empréstimos ou carnês — atingiu 70,1%. O avanço gradual também foi mapeado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que apontou um crescimento de 65% de endividados em dezembro de 2024 para 68,6% no encerramento de 2025.

Além disso, o volume de contas vencidas na cidade deu um salto anual de 18,82%, ultrapassando a média da região Centro-Oeste, tendo a faixa etária de 30 a 39 anos como o principal perfil de inadimplentes. O cartão de crédito continua sendo o maior vilão dos orçamentos, especialmente nas classes de maior poder aquisitivo, enquanto os carnês de lojas tradicionais lideram os motivos de endividamento na parcela da população de menor renda.

A necessidade de reajuste financeiro constante é descrita pela assistente educacional Edithe de Souza, que faz um planejamento diário rigoroso para evitar o superendividamento. Edithe prefere pagamentos à vista, recorrendo ao parcelamento apenas para bens de maior valor e limitando o prazo a três parcelas para escapar dos juros elevados. De forma semelhante, a assistente social e recrutadora Eneir da Silva destaca que o custo de vida exige cautela, observando que até mesmo as ofertas comerciais precisam ser calculadas friamente para não comprometerem a renda média mensal.

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