O Governo Federal e a Petrobras oficializaram nesta quinta-feira (25) a reativação do projeto da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas (MS). A iniciativa prevê um aporte financeiro superior a R$ 5 bilhões por meio do Novo PAC. A planta industrial, que estava com as obras paralisadas há mais de uma década, passa a ser tratada como um ativo estratégico para mitigar a dependência do mercado externo em relação aos insumos agrícolas e assegurar a estabilidade do abastecimento nacional.
A decisão de dar continuidade à infraestrutura ocorreu após auditorias de viabilidade técnica e financeira promovidas pela diretoria da estatal, alinhando o empreendimento ao Planejamento Estratégico para o período de 2026-2030. De acordo com o cronograma oficial da companhia, a expectativa é de que a operação comercial seja iniciada em 2029. Quando atingir a capacidade plena, a estrutura terá potencial para processar diariamente 3.600 toneladas de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia, gerando um volume anual de 1,3 milhão de toneladas de ureia — o equivalente a cerca de 16% do consumo interno brasileiro.
A descentralização e a autonomia no setor de fertilizantes foram apontadas pela gestão pública como metas essenciais para a soberania do agronegócio. Durante o evento de assinatura dos contratos de mobilização, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a produção doméstica é indispensável para que o país exerça controle sobre as bases de sua produção de alimentos. O chefe do Executivo criticou o longo período em que a estrutura permaneceu inativa e defendeu a diversificação institucional da Petrobras em segmentos que complementam a cadeia de energia e insumos industriais.
No âmbito econômico regional, o impacto imediato se dará no mercado de trabalho. A estimativa das empresas envolvidas no consórcio indica a abertura de aproximadamente 8 mil vagas de emprego, divididas entre postos diretos e indiretos na construção civil e montagem mecânica. A injeção de recursos também deve movimentar os setores logístico, hoteleiro, de alimentação e de comércio de Três Lagoas, município que já possui um perfil consolidado voltado à atividade fabril de grande porte.
A localização geográfica da UFN-III atende a critérios de otimização logística, uma vez que a região Centro-Oeste concentra quase 40% da demanda nacional por ureia — motivada especialmente pela expansão das culturas de milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens de corte. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a proximidade com os grandes eixos produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Paraná resultará em uma redução direta nos custos de frete e aumentará a confiabilidade de entrega para os produtores rurais locais.
A consolidação da carteira de fertilizantes nitrogenados da Petrobras inclui ainda os complexos de Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA. O conjunto dessas plantas integradas tem como meta corporativa suprir cerca de 35% do mercado de ureia do Brasil até o final desta década. Historicamente, o mercado nacional operava com total dependência de importações para este item específico, o que expunha o setor produtivo a choques geopolíticos internacionais, como as flutuações de preços provocadas pelo conflito no Leste Europeu entre Rússia e Ucrânia.
O início das intervenções no canteiro também recebeu aportes voltados ao desenvolvimento urbano. A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, informou que, em paralelo aos investimentos de grande porte em infraestrutura logística, o município de Três Lagoas contará com repasses do PAC voltados à mobilidade, habitação e macrodrenagem. O gerenciamento técnico e a conservação preventiva da estrutura física da planta ao longo dos anos de paralisação foram elogiados pelas autoridades municipais, que apontam o complexo como uma das maiores referências no segmento petroquímico da América Latina.