A construção da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, que conectará o município de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade de Carmelo Peralta, no Paraguai, entrou em sua etapa decisiva. Atualmente, restam apenas 21 metros para que a estrutura central alcance a ligação física total entre as duas margens. Considerada o principal gargalo logístico da Rota Bioceânica, a obra viária já acumula um investimento de 684,6 bilhões de guaranis, montante que corresponde a aproximadamente R$ 500 milhões.
Financiado com recursos binacionais e executado pelo Consórcio PYBRA, o projeto mobiliza equipes técnicas na colocação dos chamados segmentos de fechamento, que consistem nas últimas peças de concreto estrutural que unem os dois lados da pista. Paralelamente, os operários trabalham no acabamento viário, que envolve a instalação de barreiras de proteção para veículos e a estruturação das passagens destinadas a pedestres.
Do lado paraguaio, o cronograma avança também nas frentes de trabalho externas para integrar o complexo de fronteira à malha rodoviária existente. Estão em andamento as obras de pavimentação asfáltica de um trecho de 3,8 quilômetros que interligará a cabeceira da nova ponte à Rota PY15, o eixo estrutural do corredor no país vizinho. O traçado delineado contorna o perímetro urbano de Carmelo Peralta para otimizar o fluxo de veículos pesados, iniciando-se 4,5 quilômetros antes da cidade, avançando por 2,6 quilômetros na direção norte e mais 1,2 quilômetro a leste até atingir o leito do rio.
A engenharia do entorno exige intervenções de drenagem pluvial na avenida principal de acesso ao município vizinho, além de serviços contínuos de dragagem no leito do Rio Paraguai, limpeza do terreno e cercamento das faixas de domínio. De acordo com informações técnicas divulgadas pelo governo paraguaio, a consolidação dessa infraestrutura de transporte transformará a região do Chaco em um dos eixos de escoamento de cargas mais dinâmicos da América do Sul.
A abertura oficial da rota tem potencial para reconfigurar o comércio exterior da América Latina, integrando por vias rodoviárias o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile. A expectativa de especialistas em comércio internacional é que o corredor reduza drasticamente o tempo de viagem das mercadorias brasileiras em direção aos portos marítimos chilenos. Ao evitar a rota tradicional pelo Canal de Panamá ou pelo extremo sul do continente, o trajeto encurtará a distância de escoamento para os mercados da Ásia, barateando fretes e impulsionando a competitividade econômica do Centro-Oeste brasileiro.