O Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do transporte coletivo de Campo Grande, anunciou nesta terça-feira (21) a venda da empresa para a HP Mobilidade, sediada em Goiânia (GO). O valor da negociação não foi divulgado. Apesar do acordo entre as empresas, a transferência da concessão ainda depende de autorização da Prefeitura da Capital e de outros trâmites legais, enquanto a intervenção instaurada no sistema de transporte segue em andamento.
A venda ocorre 35 dias após o início da intervenção determinada pelo município para apurar possíveis irregularidades na execução do contrato de concessão. O procedimento administrativo permanece em vigor e tem prazo de até 180 dias.
Durante coletiva de imprensa, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a administração municipal não foi comunicada previamente sobre a negociação e informou que a autorização para a transferência da concessão dependerá da apresentação de um plano concreto para modernizar o transporte coletivo da cidade.
Segundo a prefeita, a nova empresa deverá apresentar um cronograma com ações voltadas à renovação da frota, implantação de ônibus com ar-condicionado, reforma dos terminais e melhorias na qualidade do serviço prestado aos passageiros. Ela ressaltou que o município não concederá anuência caso a proposta não demonstre compromisso com mudanças efetivas.
A procuradora-geral do município, Cecília Saad Cruz Scala, explicou que o processo ainda passará por análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Somente após a autorização do órgão federal e a verificação da regularidade da empresa será possível protocolar o pedido formal de transferência da concessão junto à Prefeitura.
Conforme a procuradora, caberá exclusivamente ao município, na condição de poder concedente, decidir se autoriza ou não a mudança de controle da concessionária. Caso a operação seja aprovada, a HP Mobilidade assumirá o contrato pelo período restante da concessão, que tem vigência até 2032.
Ela destacou ainda que a administração municipal avaliará aspectos como transparência, capacidade operacional e os compromissos assumidos pela empresa para aprimorar o serviço antes de tomar uma decisão definitiva.
Venda acontece em meio à intervenção
O anúncio da negociação ocorre em um momento de forte pressão sobre o sistema de transporte coletivo da Capital. A intervenção foi decretada após sucessivas reclamações de usuários sobre a qualidade do serviço, somadas à crise financeira alegada pelo Consórcio Guaicurus.
Nos últimos anos, passageiros têm relatado problemas como ônibus antigos, falhas na manutenção, atrasos nas linhas e superlotação, enquanto os reajustes nas tarifas continuam sendo alvo de críticas.
Embora a venda represente uma possível mudança na administração da concessionária, a intervenção permanece válida e continuará investigando a execução do contrato firmado entre o município e o consórcio.
Até a publicação desta reportagem, o Consórcio Guaicurus e a HP Mobilidade não haviam se manifestado sobre os detalhes da negociação após serem procurados pela reportagem.