O ritmo de compras dos moradores de Campo Grande apresentou uma leve desaceleração no mês de maio de 2026. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador que monitora a percepção do orçamento doméstico na capital sul-mato-grossense, registrou uma queda marginal de 0,5% na comparação com o mês anterior, fixando-se em 108,2 pontos. Mesmo com o recuo, o resultado permanece acima da linha dos 100 pontos, patamar que separa a insatisfação do otimismo em relação à economia local.
O desempenho de maio revela um comportamento duplo no bolso do consumidor. A retração geral foi fortemente influenciada pela perda de fôlego no apetite por compras de bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos, cujo indicador despencou 2,3% em apenas um mês. Esse recuo caminha lado a lado com uma percepção mais restrita sobre o acesso ao crédito e financiamentos a prazo, que também anotou variação negativa de 0,2%.
Por outro lado, o mercado de trabalho atua como um escudo protetor para o orçamento das famílias. O índice de segurança no emprego atual subiu 0,7%, consolidando-se como o principal pilar positivo do período. De forma geral, 53,4% dos entrevistados afirmaram se sentir mais seguros em seus postos de trabalho atuais se comparados ao mesmo período do ano passado , enquanto apenas 12,9% declararam menor estabilidade profissional.
Quando o cenário é dividido por faixas de renda, as prioridades e a confiança tomam rumos distintos. As famílias que recebem acima de 10 salários mínimos demonstraram uma reação positiva, elevando seu índice de intenção em 1,5%, impulsionadas por uma melhora na percepção da renda atual (+2,3%) e do próprio nível de consumo (+3,0%). Já entre os lares que ganham até 10 salários mínimos, o movimento foi inverso: o índice de consumo recuou 0,9% , com destaque para uma forte queda de 4,1% na disposição para adquirir bens duráveis.
A estabilidade da renda familiar, no entanto, trouxe equilíbrio para a média geral. Metade dos porto-alegrenses e residentes da capital pesquisados (50,3%) declarou que os rendimentos atuais permanecem iguais aos do ano passado , e 32,6% percebem uma melhora real nos ganhos financeiros.
Para os próximos meses, o sentimento coletivo caminha para a moderação. A perspectiva de consumo futuro teve uma oscilação negativa de 0,4% , indicando que a população prefere manter o planejamento financeiro sob controle antes de assumir novas dívidas a longo prazo, aguardando condições mais favoráveis nas taxas e na facilidade de crédito.