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Economia

Custo de vida pressiona orçamento e faz brasileiro usar crédito para pagar dívidas

Pesquisa revela que despesas essenciais consomem 57% da renda familiar e levam consumidores a buscar linhas de financiamento como estratégia de sobrevivência.

Por Redação
Custo de vida pressiona orçamento e faz brasileiro usar crédito para pagar dívidas

O bolso do brasileiro tem enfrentado uma pressão crescente que reverbera diretamente na organização financeira dos lares. Um levantamento recente realizado pela Serasa revela que 70% dos consumidores do país perceberam uma alta expressiva nas despesas cotidianas ao longo dos últimos 12 meses. O impacto desse avanço inflacionário sobre as despesas básicas reduziu drasticamente a margem de manobra das famílias: atualmente, apenas 19% da população afirma conseguir administrar o pagamento de suas contas diárias sem enfrentar qualquer tipo de dificuldade ou aperto financeiro.

O encarecimento das condições de vida é impulsionado, principalmente, pelo peso dos itens básicos. Conforme os dados apurados, os gastos com idas ao supermercado, moradia e as chamadas contas recorrentes (como água, luz e internet) já comprometem, em média, 57% de todo o orçamento familiar no Brasil. Em termos absolutos, o custo médio mensal para a manutenção dessas despesas essenciais atingiu o patamar de R$ 3.520, valor que se mostra ainda mais elevado nas regiões Sul e Sudeste, que lideram o ranking de custos mais altos do território nacional.

Diante desse cenário de compressão da renda e de taxas de juros que permanecem em níveis elevados, o perfil de utilização do crédito passou por uma transformação estrutural. Deixando de lado o caráter estrito de consumo de curto prazo, o endividamento estruturado tem sido adotado como uma ferramenta estratégica de sobrevivência. Informações fornecidas pelo Banco Bari indicam que 60% dos clientes que contrataram linhas de crédito nos últimos dois anos destinaram os recursos obtidos especificamente para a quitação de débitos anteriores e para a reorganização de suas finanças.

“O que se observa são mudanças no dia a dia financeiro dos brasileiros que requerem novas posturas. Além do aumento do custo de vida percebido por uma parcela considerável da população, também vemos alterações quanto ao uso do crédito, comumente utilizado como uma extensão da renda”, avalia Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. Segundo ela, esse contexto reforça a importância de difundir mecanismos de controle orçamentário como um pilar essencial para a sustentabilidade do bem-estar familiar.

A busca por recursos financeiros também demonstra uma forte correlação com o calendário de planejamento dos consumidores. Os picos de aprovação de crédito registrados pela instituição financeira concentraram-se nos meses de abril, julho e outubro de 2024 e 2025. Esses períodos específicos coincidem historicamente com janelas em que as famílias realizam revisões orçamentárias profundas, traçam metas de médio prazo ou possuem a expectativa de ingressos de rendas sazonais, usando as linhas de financiamento de forma mais calculada.

Para o setor de crédito, essa movimentação consolida um comportamento mais maduro por parte do tomador de recursos. Lucas Ortega, líder comercial e especialista em empréstimo com garantia de imóvel do Banco Bari, explica que o consumidor atual demonstra maior atenção às condições contratuais, priorizando soluções que ofereçam prazos estendidos e parcelas que caibam no planejamento mensal. Conforme o especialista, o acesso ao capital deixou de ter como foco exclusivo o consumo imediato e assumiu uma função de reestruturação das contas do lar.

Apesar de a quitação de pendências financeiras liderar os motivos para a busca de recursos, a pesquisa sinaliza que uma parcela dos brasileiros consegue direcionar o crédito para a construção de patrimônio ou melhorias estruturais, mesmo sob conjuntura adversa. Entre os entrevistados, 16% utilizaram as linhas de financiamento para realizar investimentos e 7% direcionaram o montante para obras, reformas ou construções residenciais, o que reflete um planejamento focado no longo prazo.

“Quando observamos o peso crescente de despesas essenciais como moradia e alimentação, fica evidente que muitas pessoas recorrem ao crédito estruturado para recuperar previsibilidade financeira e reorganizar o orçamento de forma sustentável”, conclui Ortega.

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