A equipe econômica do governo federal elevou de 4,5% para 5,1% a projeção da inflação oficial para 2026, superando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão foi divulgada nesta quarta-feira (15) no Boletim Macrofiscal, elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.
Apesar da piora na estimativa para os preços, a expectativa de crescimento da economia brasileira foi mantida em 2,3% para o próximo ano.
Segundo o Ministério da Fazenda, a atualização das projeções reflete principalmente a alta dos preços internacionais do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio, além dos possíveis impactos do fenômeno climático El Niño sobre a produção agrícola, fatores que podem pressionar a inflação nos próximos meses.
Petróleo e clima pressionam os preços
De acordo com o boletim, a elevação das cotações do petróleo no mercado internacional tende a aumentar os custos dos combustíveis e de outros setores da economia, influenciando diretamente o comportamento da inflação.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de ocorrência do El Niño preocupa o governo pela capacidade de afetar a produção agrícola e reduzir a oferta de alimentos, o que pode resultar em novas altas de preços.
O documento também aponta que o aumento dos custos dos fertilizantes continua sendo um fator de risco para a cadeia produtiva do agronegócio, contribuindo para a manutenção das pressões inflacionárias.
Meta continua acima do previsto
Com a nova projeção, a inflação esperada para 2026 permanece acima da meta de 3%, cujo intervalo de tolerância permite um teto de 4,5%.
Para os anos seguintes, o governo prevê uma desaceleração gradual dos índices. A expectativa para 2027 passou de 3,5% para 3,6%, enquanto a projeção é de que a inflação volte a convergir para a meta de 3% nos anos posteriores.
PIB segue estimado em 2,3%
Mesmo diante do cenário de maior pressão sobre os preços, a equipe econômica manteve inalterada a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026.
Já para 2027, a estimativa foi revisada de 2,6% para 2,5%. Entre 2027 e 2030, a projeção do Ministério da Fazenda é de crescimento médio anual de 2,6%.
Segundo a avaliação da Secretaria de Política Econômica, a atividade econômica deverá continuar sendo impulsionada principalmente pelos setores de indústria e serviços. Já a agropecuária tende a apresentar ritmo mais moderado após o desempenho expressivo registrado com a safra recorde de soja no início do ano.
Cenário internacional amplia incertezas
O Boletim Macrofiscal destaca que o ambiente econômico global permanece cercado por incertezas, especialmente em razão das tensões geopolíticas e dos riscos climáticos.
Na avaliação da equipe econômica, esses fatores podem manter a inflação elevada no curto prazo, exigindo atenção na condução da política econômica.
As projeções divulgadas servirão de base para a elaboração do próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para ser publicado até o dia 24. O documento orienta a execução do Orçamento Federal e pode indicar medidas como bloqueios ou contingenciamentos de despesas, caso seja necessário adequar os gastos às regras do arcabouço fiscal.