A inflação dos alimentos perdeu intensidade em junho, mas itens essenciais continuam registrando aumentos expressivos e seguem impactando o orçamento das famílias brasileiras. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o grupo Alimentação e Bebidas desacelerou de 1,38% em maio para 0,74% em junho, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15).
Apesar da redução no ritmo de alta, o segmento ainda foi o que mais contribuiu para o resultado da prévia da inflação do mês, respondendo por 0,16 ponto percentual dos 0,41% registrados pelo índice geral.
Dentro de casa, os alimentos continuaram mais caros. A alimentação no domicílio passou de alta de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Entre os principais responsáveis pelo avanço aparecem a batata-inglesa, com aumento de 29,42%, seguida pelo tomate (17,27%), feijão-carioca (14,29%) e cebola (9,54%).
Os números do primeiro semestre reforçam a pressão sobre produtos básicos da cesta de consumo. O tomate acumula alta de 103,84% no ano, enquanto a cenoura registra avanço de 103,10%. A batata-inglesa também ultrapassou a marca de 100%, chegando a 100,20% de valorização no período.
Especialistas apontam que fatores climáticos explicam boa parte desse movimento. A produção da batata, por exemplo, é altamente sensível às condições do tempo. Excesso de chuvas, geadas e dificuldades durante a colheita reduzem a oferta e provocam aumentos rápidos nos preços. O mesmo cenário afetou culturas como tomate e feijão-carioca, prejudicadas por eventos climáticos adversos em regiões produtoras.
Enquanto alguns alimentos continuam pressionando a inflação, outros começaram a apresentar alívio. O café moído teve queda de 3,69% em junho, após meses consecutivos de forte valorização. Segundo o levantamento, a melhora nas perspectivas para a safra contribuiu para reduzir as cotações internacionais, refletindo também no mercado brasileiro. As frutas também registraram recuo, com variação negativa de 0,96%.
A alimentação fora do domicílio também mostrou desaceleração. A variação passou de 0,51% em maio para 0,40% em junho. As refeições servidas em restaurantes avançaram 0,39%, abaixo dos 0,57% registrados no mês anterior. Já o preço dos lanches apresentou comportamento diferente, acelerando de 0,37% para 0,45%.
Embora o ritmo da inflação dos alimentos tenha diminuído em junho, o comportamento dos produtos básicos indica que a pressão sobre o custo de vida permanece presente. A evolução das próximas safras e das condições climáticas deve continuar sendo um dos principais fatores para a definição dos preços ao consumidor nos próximos meses.