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Na contramão do país, Mato Grosso do Sul registra alta de 18,8% no assassinato de mulheres

Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que o estado teve 57 homicídios femininos em 2024; mortes gerais caíram no mesmo período

Por Redação Atualizado em
Na contramão do país, Mato Grosso do Sul registra alta de 18,8% no assassinato de mulheres

Mato Grosso do Sul apresentou uma tendência oposta à média nacional no que se refere à segurança das mulheres. Entre os anos de 2023 e 2024, o número de mulheres assassinadas no estado cresceu 18,8%, saltando de 48 para 57 ocorrências. Os dados foram extraídos do Atlas da Violência 2026, estudo publicado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O crescimento local contrasta com o cenário de 19 estados brasileiros, que conseguiram reduzir os índices de violência letal contra a população feminina. Ao lado de Mato Grosso do Sul, apenas outras seis unidades da federação registraram balanço negativo no período: Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná e Roraima.

Quando analisados os crimes motivados especificamente por questões de gênero, a tendência de alta se confirma. Os registros de feminicídio no estado passaram de 30 casos em 2023 para 35 ocorrências ao longo de 2024.

Retrospectiva histórica e comportamento dos índices

mulheres

A análise histórica da última década, disponibilizada pelo levantamento entre 2014 e 2024, revela oscilações significativas no território sul-mato-grossense. O ano de 2014 abriu o período com o patamar mais elevado, somando 85 mortes de mulheres, seguido por uma queda para 58 em 2015 e novo pico de 80 assassinatos em 2016.

Nos anos seguintes, os números mantiveram-se em patamares flutuantes: foram 61 óbitos em 2017, 66 em 2018 e novamente 61 em 2019. O início da década atual trouxe 71 registros em 2020, recuando para 66 em 2021 e retornando para 71 em 2022. O menor índice da série histórica recente havia sido obtido justamente em 2023, com 48 mortes, marca que voltou a subir com os 57 casos documentados em 2024.

Na contramão do país, Mato Grosso do Sul registra alta de 18,8% no assassinato de mulheresDiscrepância entre dados de gênero e mortalidade geral

Os indicadores de violência contra as mulheres expõem uma realidade apartada dos dados gerais de criminalidade do estado. Enquanto os homicídios femininos avançaram, a mortalidade geral em Mato Grosso do Sul apresentou retração expressiva.

O confronto entre os anos de 2023 e 2024 aponta uma redução de 11,1% no total de mortes violentas em solo sul-mato-grossense, superando o ritmo de queda do próprio cenário nacional, que ficou em -6,9%.

Ao todo, o estado contabilizou 519 mortes violentas em 2024, posicionando-se na 21ª colocação entre as unidades federativas com maior volume de assassinatos. O montante mantém Mato Grosso do Sul distante dos estados que lideram o ranking de letalidade absoluta no país, como a Bahia, que computou 6.061 mortes no mesmo ano, seguida por Pernambuco, com 3.534, e pelo Rio de Janeiro, com 3.520 registros.

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