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Operação Mute apreende mais de 500 celulares em presídios e mobiliza polícias penais de 23 estados

Ação coordenada pela Senappen fiscalizou mais de 2,6 mil celas no país; Governo Federal anuncia investimento de R$ 324 milhões para modernizar segurança nos presídios.

Por Redação
Operação Mute apreende mais de 500 celulares em presídios e mobiliza polícias penais de 23 estados

Uma mobilização nacional das forças de segurança penitenciária resultou na apreensão de 534 aparelhos celulares em estabelecimentos prisionais de 23 unidades federativas. Os dados correspondem ao balanço parcial da 11ª fase da Operação Mute, realizada entre os dias 18 e 21 de maio de 2026. Coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), braço do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a iniciativa entra em sua etapa de conclusão nesta sexta-feira (22), estendendo as inspeções a todas as unidades da federação e ao Distrito Federal.

Ao longo de quatro dias de atividades integradas, a operação empenhou 2.854 policiais penais, que realizaram vistorias minuciosas em 2.611 celas espalhadas por 49 penitenciárias de segurança média e máxima. Os estabelecimentos alvos das vistorias concentram, juntos, uma população estimada de 65.040 pessoas privadas de liberdade. Vinculada ao Programa Brasil Contra o Crime Organizado, a Operação Mute foca no bloqueio e na interrupção de comunicações móveis não autorizadas dentro das galerias, de modo a desarticular redes de comando externo de facções criminosas.

Com a consolidação da atual etapa, o histórico acumulado da Operação Mute desde sua implementação, em 2023, atinge a marca de 8.500 celulares retirados de circulação nos presídios do país. O esforço logístico em todas as 11 edições mobilizou 41.457 policiais penais e fiscalizou 40.214 celas dentro de 680 unidades prisionais, consolidando a estratégia de atuação unificada entre o Executivo federal e as secretarias estaduais de administração penitenciária.

No Estado do Rio de Janeiro, a fase atual teve como foco principal enfraquecer grupos especializados na articulação de infrações penais de dentro dos presídios por meio de dispositivos eletrônicos. Sete unidades prisionais fluminenses foram vistoriadas por 134 policiais penais, culminando no confisco de 42 celulares, 3 chips telefônicos e volumes significativos de entorpecentes — sendo 513 gramas a granel e 3.993 porções individuais. Como medida de reforço imediato, o estado receberá seis novos equipamentos de raio-X para controle de fluxo nas portarias.

Investimentos em tecnologia e modernização

Paralelamente às operações de varredura, o Ministério da Justiça anunciou o andamento do projeto Padrão Segurança Máxima, que prevê um investimento global de R$ 324 milhões para modernizar as rotinas de vigilância em 138 presídios considerados estratégicos nas cinco regiões do país. Desse total, mais de R$ 184,9 milhões (cerca de 57%) já estão com processos de aquisição ou entrega em andamento. O mapeamento da Senappen direcionará as melhorias para 45 unidades no Nordeste, 38 no Sudeste, 23 no Norte, 17 no Sul e 15 no Centro-Oeste.

Para estruturar essas unidades e mitigar a reentrada de objetos proibidos nas celas, o governo federal já efetuou a compra de 138 scanners corporais, orçados em mais de R$ 38 milhões, e 276 aparelhos de raio-X para bagagens e volumes, com investimento de R$ 36 milhões, permitindo a instalação de duas máquinas de inspeção por presídio selecionado até o início do próximo semestre.

A estratégia nacional de segurança pública também inclui a renovação e o reforço da frota de transporte penitenciário. Foram adquiridas 365 novas viaturas operacionais mediante um aporte superior a R$ 108 milhões. A meta do plano nacional estabelece que, até o encerramento do ano corrente, cada uma das 138 unidades prisionais prioritárias receba três novos veículos oficiais de apoio, dos quais ao menos um contará com blindagem industrial completa para dar suporte às missões de escolta interestadual e gerenciamento de crises.

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