Uma grande operação da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (21), mirou uma organização criminosa altamente estruturada, especializada em fraudes bancárias eletrônicas e lavagem de capitais. Batizada de Operação Cyber Trap, a ação mobilizou equipes policiais para o cumprimento de ordens judiciais em Campo Grande (MS) e em Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo. Ao todo, a Justiça Federal autorizou a execução de dez mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão e o bloqueio de bens e ativos financeiros dos envolvidos.
O foco principal das investigações aponta para uma sofisticada engenharia financeira que conseguiu movimentar mais de R$ 120 milhões. De acordo com as autoridades, o grupo criminoso utilizava uma rede de empresas de fachada e transações com criptomoedas para ocultar a origem ilícita dos recursos obtidos por meio de golpes virtuais, dificultando o rastreamento por parte dos órgãos de controle e fiscalização financeira.
A ofensiva em Campo Grande e no território paulista resultou na apreensão de um vasto patrimônio. Foram recolhidos celulares, computadores, veículos de luxo, joias, valores em espécie, carteiras de criptomoedas e imóveis ligados aos alvos da apuração. Todo o material passará por perícia técnica para robustecer o conjunto probatório e identificar a extensão da rede de contatos dos suspeitos.
O início do caso remonta a 2023, período em que a área de segurança da Caixa Econômica Federal detectou a existência de uma plataforma digital clandestina destinada à comercialização de dados de cartões bancários clonados e fraudados. O compartilhamento dessas informações com a Polícia Federal permitiu o início de um monitoramento técnico detalhado, que culminou na identificação do principal articulador do esquema, indivíduo com forte base de atuação e ligações em Campo Grande.
A dinâmica do esquema funcionava a partir da captação ilícita de dados de correntistas e usuários da internet. Com o capital em mãos, o grupo pulverizava os montantes em contas de laranjas e nas firmas fictícias antes de convertê-los em ativos digitais. A PF ressalta que o sucesso da desarticulação é fruto de um trabalho de cooperação contínua com as instituições financeiras do país, que vêm intensificado o cerco contra a criminalidade cibernética em expansão no território nacional.