Mesmo sob a pressão de fatores macroeconômicos adversos, como o patamar elevado da taxa básica de juros e a escalada global nos preços do petróleo, a economia brasileira registrou expansão de 0,1% na passagem de março para abril de 2026. Quando confrontado com o mesmo mês do ano anterior, o nível de atividade econômica do país apresentou um avanço de 1,8%.
Os dados constam no relatório do Monitor do PIB, divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). No acumulado dos últimos 12 meses finalizados em abril, a expansão econômica nacional consolidou-se em 2%, com uma movimentação financeira estimada em R$ 4,376 trilhões em valores correntes.
A estabilidade com viés de alta reflete a capacidade de adaptação dos setores produtivos frente aos desafios internos e externos. De acordo com a coordenação da pesquisa, a maior parte dos componentes que integram o Produto Interno Bruto mostrou desempenho positivo. Esse comportamento sinaliza resiliência em um período marcado pelo encarecimento dos combustíveis, reflexo direto dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio que impactaram o mercado internacional de commodities.
Durante o mês de abril, o Banco Central manteve a Taxa Selic fixada em 14,75% na maior parte do tempo, como parte da estratégia rigorosa de controle inflacionário. Embora o aperto monetário tenda a desincentivar o consumo de curto prazo, o consumo das famílias surpreendeu ao registrar um crescimento de 2,6% no trimestre móvel encerrado em abril, atingindo o maior nível de expansão desde o início do ano passado.
Outro vetor de sustentação do indicador foi o setor externo. As exportações brasileiras saltaram 9,3% no trimestre analisado, impulsionadas majoritariamente pela indústria extrativa, que teve uma expansão de 27,8% nos embarques para o exterior. Paralelamente, o investimento produtivo interno — medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que engloba a aquisição de máquinas e equipamentos — cresceu 0,7%, interrompendo uma sequência de retrações que perdurava por quatro trimestres consecutivos. Com isso, a taxa de investimento geral da economia fechou o período em 18%.
O levantamento da FGV funciona como um termômetro antecedente e converge com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que reportou alta de 0,5% no mesmo corte mensal. Os números consolidados e oficiais da economia nacional são de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apresentará o balanço detalhado do segundo trimestre no dia 1º de setembro.