A maioria dos brasileiros defende uma agenda de segurança pública baseada no cumprimento rigoroso da legislação, no investimento em prevenção e no uso de recursos tecnológicos. O diagnóstico faz parte de um estudo nacional divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Instituto Sou da Paz e executado pela Oma Pesquisa. O levantamento aponta que a sociedade tende a rejeitar discursos radicalizados e busca soluções institucionais pragmáticas para o controle da criminalidade no país.
Os dados contrariam visões populares consolidadas no debate político. A afirmação de que “bandido bom é bandido morto”, por exemplo, encontra respaldo em apenas 20% dos entrevistados. Em contrapartida, há um amplo consenso sobre a necessidade de punição dentro dos parâmetros legais: 73% afirmam que pessoas que cometem crimes devem ser devidamente julgadas e presas, e 55% acreditam que a prioridade do Estado deve ser a aplicação irrestrita das leis já existentes a todos os infratores, enquanto 39% defendem o endurecimento ou aumento das penas atuais.
A percepção de insegurança, contudo, permanece elevada no cotidiano da população. Apenas 32% dos brasileiros declararam se sentir seguros no município onde residem. O indicador de vulnerabilidade é ainda mais acentuado entre o público feminino, registrando que somente 26% das mulheres compartilham dessa sensação de proteção. Além disso, a prevalência da violência de gênero foi identificada de forma expressiva por 83% dos participantes, que reconhecem o problema como uma realidade presente em suas respectivas cidades.
No que tange às políticas de controle de armamentos, o relatório indica uma postura de cautela por parte dos cidadãos. De acordo com os dados coletados, 77% dos entrevistados compreendem que armas adquiridas de forma legal correm o risco de abastecer a criminalidade e ser utilizadas em contextos violentos caso venham a ser roubadas. Na mesma linha de percepção, 73% dos indivíduos avaliam que o aumento do volume de armamentos em circulação geral na sociedade tende a potencializar os índices de violência urbana.
A atuação e a modernização das forças de segurança também concentram altos índices de concordância. O uso de câmeras corporais nos uniformes dos agentes de segurança pública como mecanismo de proteção mútua e transparência recebeu a aprovação de 82% da amostra consultada. Paralelamente, 65% dos entrevistados apontaram a necessidade de investir na estruturação de polícias mais bem preparadas e qualificadas para o enfrentamento técnico do crime.
A coordenação institucional do estudo pontua que os resultados sugerem o esgotamento de discursos punitivos simplistas que não geram impactos práticos na redução dos índices criminais. De acordo com a análise da diretoria do Instituto Sou da Paz, existe uma parcela expressiva da população que, embora não se manifeste ativamente nos debates polarizados, apoia reformas estruturais que priorizem a inteligência e o planejamento.
Com base nas demandas mapeadas pelo diagnóstico, a organização listou cinco diretrizes estratégicas recomendadas para o direcionamento das políticas públicas setoriais nos próximos anos: o combate prioritário à violência contra mulheres e meninas, a valorização e qualificação técnica do policiamento, a desarticulação das redes de crime organizado, o foco na redução de crimes patrimoniais como roubos e a intensificação da retirada de armas de fogo ilegais de circulação.
A amostragem nacional coletou dados por meio de 1.115 entrevistas domiciliares e presenciais, realizadas entre os meses de novembro e dezembro de 2025.